Doenças comuns em gatos

Mestre em Ciência Animal (UFG, 2013)
Graduada em Medicina Veterinária (UFG, 2010)

Dentre as doenças mais comuns em gatos, as viroses representam importantes índices de morbidade e mortalidade. A leucemia felina ou FELV (feline leukemia virus) é provocada por um vírus que pertence à família Retroviridae, gênero Gammaretrovirus. Esse agente é capaz de se integrar ao genoma celular do animal e se perpetuar, gerando muitas consequências ao organismo do animal. O período de viremia geralmente é assintomático, porém ao atingir a medula óssea os gatos começam a manifestar efeitos imunossupressores e doenças debilitantes decorrentes do acometimento do sistema imunológico. Dentre essas cita-se as neoplasias linfóide ou mielóide, anemias, pneumonia, infertilidade e neuropatia.

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Existem testes rápidos para a identificação do vírus, porém os confirmatórios são ELISA e IFA para a detecção de antígeno e PCR para a identificação do RNA viral ou DNA proviral. O tratamento do animal baseia-se na terapia sintomática e de suporte; os fármacos imunomoduladores e os produtores de interferon melhoram a função do sistema imunológico. A vacinação é o meio preventivo da doença, mas é indicada para gatos saudáveis e deve ser precedida de exame clínico e laboratorial, para descartar a presença da FELV.

A FIV (Imunodeficiência Viral Felina) também enquadra-se em virose por retrovírus, cuja estrutura molecular e patogenia assemelham-se ao vírus da imunodeficiência humana (HIV). Essa enfermidade acomete os linfócitos T, os linfócitos B e os macrófagos, o que gera uma imunossupressão e o surgimento de doenças secundárias. Os sinais clínicos são variados e os gatos infectados podem apresentar anorexia, anemia, apatia, linfoadenopatia generalizada, leucopenia, emaciação, estomatite crônica e alterações comportamentais. As técnicas de diagnóstico e o tratamento são os mesmos preconizados para FELV.

A peritonite infecciosa felina (PIF) é transmitida pelo coranavirus e a doença pode se apresentar de forma efusiva ou úmida e não efusiva ou seca. A primeira é mais predominante e grave, os animais acometidos apresentam efusões no peritônio, na pleura, aliados a anorexia, apatia, perda de peso, desidratação e febre. O diagnóstico envolve exames sanguíneos como hemograma e perfil bioquímico, exames de imagem como radiografias e ultrassom e, tem-se ainda a análise do líquido efusivo por meio de reação em cadeia pela polimerase (PCR), porém seu custo é bastante elevado.

O complexo respiratório dos felinos (CRF) é uma doença multifatorial, contagiosa que envolve o Herpesvírus felino-1 (FHV-1), o Calicivírus felino (FCV), a Chlamydophila felis e a Bordetella bronchiseptica. O FHV-1 ocasiona a Rinotraqueíte Viral Felina, uma afecção que se instala no trato respiratório superior dos gatos e também gera infecções oculares como conjuntivite, ceratite e úlcera de córnea. O FCV induz secreções oronasais e conjuntivais, lesões ulcerativas, gengivite e vasculite. A bactéria B. bronchiseptica coloniza a mucosa ciliada respiratória e provoca danos inflamatórios local e sistêmico, devido à liberação de suas toxinas. A tosse é o sinal mais comum. Já a C. felis infecta e causa sinais clínicos relacionados aos sistemas respiratório, geniturinário, gastrintestinal e ocular,

A transmissão do CRF se dá por meio do contato direto com secreções oronasal e conjuntival dos animais infectados. Preconiza-se o tratamento com antimicrobianos, anti-inflamatórios, antitérmicos e agentes mucolíticos. A proteção contra o CRF deve ser feita com a vacinação.

O sarcoma de aplicação felino (SAF) é uma neoplasia que se origina da aplicação de injetáveis por via subcutânea ou intramuscular. A etiologia ainda não foi totalmente elucidada, mas acredita-se que alguns compostos vacinais e células de reparação tecidual como fibroblastos e miofibroblastos, aliados à predisposição individual, induzam à uma transformação celular maligna.

O principal sinal clínico é a formação de uma nodulação firme, bastante aderida e de crescimento rápido. Nota-se o predomínio do fibrossarcoma, cujo caráter é extremamente agressivo. O diagnóstico pode ser feito por exame citológico ou por biópsia e microscopicamente visualiza-se alta taxa mitótica, pleomorfismo e área central necrótica. O tratamento é feito com a excisão cirúrgica, seguida de quimioterapia ou radioterapia. O prognóstico é de reservado a desfavorável.

Existem outras inúmeras enfermidades que podem acometer os felinos, mas sabe-se que o conhecimento dessas e as formas de prevenção são os melhores subsídios.

Referências:

Carvalho et al. Imunodeficiência viral felina: Relato de caso. PUBVET v.13(4):1-5p, 2019.

Biezus G. Ocorrência de doenças infecciosas em gatos do Planalto Catarinense. Revista de Ciências Agroveterinárias. Santa Catarina. v17(2):235-40p, 2018.

Carneiro, C. S. et al. Sarcoma de aplicação felino Semina: Ciências Agrárias, Londrina. v29(4):921-932p, 2008.

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