Oxímoro

Graduação em Letras Português e Inglês (Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2010)

Oxímoro vem do grego Oxus – afiado, penetrante, agudo; e Moros – tolo, idiota, estúpido. A partir daí, podemos dizer que Oxímoro é uma figura de pensamento que consiste numa frase de sentido, aparentemente, absurdo, já que resulta da reunião de ideias contrárias num só pensamento. Essa figura de pensamento nos leva a enunciar uma verdade com aparência de mentira.

Alguns exemplos de Oxímoro:

Lúcida loucura
Silêncio eloquente
Embriaguez sóbria
Piada séria
Gélido calor
Instante eterno
Mentiras sinceras
Espontaneamente calculada
Grito do silêncio
Crescimento negativo

Os Oxímoros, também, são muito usados em versos com o objetivo de realçar, pelo contraste, o que se quer expressar como:

é dor que desatina sem doer
contentamento descontente

Camões criou esse famoso paradoxo do lirismo português que, em vez de opor, enlaça ideias contrastantes, sugerindo uma antítese especial. Apesar dos elementos se excluírem mutuamente, ao mesmo tempo, se fundem, constituindo afirmações aparentemente sem lógica.

“amor que me acalora e me intimida,
Que me põe fraco quanto me põe forte”

Nos versos acima, Hermes Fontes usou do Oxímoro para capturar a essência dos versos paradoxais.

Muitos músicos, também, utilizam de Oxímoros em suas canções, como é o caso de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil:

Pra se viver do amor
Há que esquecer o amor.
Só o vejo na ausência” – Chico Buarque de Hollanda

Menino do rio,
Calor que provoca arrepio” – Caetano Veloso

Marmelada de banana
Bananada de Goiaba
Goiabada de marmelo
Sítio do pica-pau amarelo.” – Gilberto Gil

Outro exemplo de Oxímoro aparece no jargão da turma do Chaves, do seriado infantil mexicano, quando ele entra em seu barril e diz: “foi sem querer, querendo”.

Sendo assim, é possível entendermos que essa figura de retórica se caracteriza em empregar palavras que, mesmo opostas quanto ao sentido, se fundem num mesmo enunciado.

Bibliografia:

LIMA, Rocha. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. 27 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986. 506p.

PASCHOALIN, Maria Aparecida. Gramática: teoria e atividades. 1. Ed. São Paulo: FTD, 2014. 512p.

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