Período Eolítico

Segundo MacCurdy, foram descobertos restos de esqueleto de Homo mousteriensis, por Otto Schoetensack, em 1907. O maxilar deste corpo foi encontrado no Vale de Mauer, na profundidade de 24,10 metros. Junto a este maxilar estavam enterrados vestígios de gatos domésticos, cachorros, ursos, javalis, veados-vermelho, búfalos, castores-europeu, cavalos, rinocerontes de Merck e elefantes-de-presas-retas. Este maxilar apresentava a ausência do queixo e possuíam dentes grandes. No entendimento de MacCurdy, encontrar a mandíbula inferior de Mauer perto dos restos de elefantes-de-presas-retas e de rinocerontes de Merck sugere que o maxilar pertença a um tempo mais antigo que o período Paleolítico. Desta forma, estes representam o chamado período Eolítico. Schoetensack acreditava que seus achados estavam no horizonte de verificar a cronologia do desenvolvimento até ao Homo heidelbergensis, cujos vestígios, para ele, representavam o período Eolítico.

De acordo com Ellen, esta periodização do Eolítico foi amplamente discutida no século XIX para representar uma antiguidade inimaginável. Acreditava-se que as pedras lascadas achadas por Somme e Brixham, em 1859, pertenciam a um artefato de machado de mão. Estes pesquisadores acreditavam que o machado de mão era parte de técnica complexa, elaborada através de tentativas dos primeiros seres humanos de fazer ferramentas mais simples. Os geólogos acreditavam que estas ferramentas pertenciam ao período pré-glacial, e os arqueólogos passaram a utilizar a terminologia de pré-paleolíticos para classificar estes objetos. De acordo com Ellen, Gabriel de Mortillet foi quem denominou estes vestígios de "eólitos". O termo eolítico foi aceito para descrever todos os achados rotulados como pertencentes ao período pré-Paleolítico. Os primeiros objetos a serem descritos como eolíticos se encontram em sítios arqueológicos na França (Thenay, Puy Courney) e em Portugal, descobertos na década de 1880. Em 1888, Wallace sugeriu que o crânio de Calaveras era mais antigo que os cascalhos datados do Paleolítico, e, desta forma, o datou do período Eolítico.

Entretanto, conforme Ellen, grande parte do grupo de pesquisas sobre o Eolítico, ao se aprofundar sobre os artefatos, como foi no caso de Benjamin Harrison de Ightham (1837-1921), verificaram que a dedução da datação dos vestígios foi precipitada e, a partir de 1890 e o início do século XX, diminuiu-se a adesão ao uso e classificação de objetos ditos pertencentes ao Eolítico. Ellen julga que o darwinismo social contribuiu para que se mantivesse a teoria do Eolítico por tanto tempo, pois os indícios corroborariam com a gênese racial na evolução humana.

Dado estes fatos, podemos concluir que o período Eolítico não é mais aceito entre as datações da Pré-História. Os vestígios antes aceitos como do período Eolítico, hoje estes são classificados como pertencente a outros períodos da Pré-História.

Bibliografia:

ELLEN, Roy F. "The place of the eolithic controversy in the anthropology of Alfred Russel Wallace." In: Linnean, vol. 27, n. 1, 2011, p. 22-33. Disponível em: http://www.linnean.org/fileadmin/images/Linnean/Linnean_27-1_March_2011_complete_web_24_Feb.pdf 

MACCURDY, George Grant. "Eolithic and Paleolithic Man." In: American Anthropologist, vol. 11, no. 1, 1909, p. 92-100. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/659742.

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