Tartaruga-da-amazônia

Mestre em Ecologia (UERJ, 2016)
Graduada em Ciências Biológicas (UFF, 2013)

A tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) é um quelônio de água doce da família Podocnemididae e que vive no Rio Amazonas e seus afluentes, também conhecida como jurará-açú, araú, capitaris e aiuçá. É considerada o maior quelônio de água doce da América do Sul ocorrendo na Colômbia, Venezuela, Guianas, Brasil, Peru, Equador e Bolívia. No Brasil, ocorre em todos estados da região Norte e nos estados de Goiás e Mato Grosso, assim como na região Centro-Oeste. Pode chegar a 90 centímetros de comprimento e pesar até 75 quilos.

Apesar de ser conhecida como tartaruga, na realidade, a Podocnemis expansa é um cágado, pois quando precisam esconder a cabeça, ela é dobrada lateralmente para dentro do casco, o que difere das tartarugas e dos jabutis que retraem o pescoço verticalmente para dentro do casco. A tartaruga-da-amazônia é caracterizada pela presença de casco ósseo, de forma oval, coberto por placas córneas e a presença de manchas escuras regulares na carapaça com cores pretas, alaranjadas ou marfim. As patas são curtas e apresentam cinco unhas nas anteriores e quatro nas posteriores, sendo muito potentes. A cabeça é achatada e possui desenhos no rosto que funcionam como uma impressão digital e não se repetem de um indivíduo para o outro. Esta característica em especial é importante para estudos que fazem o acompanhamento da tartaruga-da-amazônia, pois estes desenhos permitem identificar cada indivíduo.

Tartaruga-da-amazônia. Foto: Elliotte Rusty Harold / Shutterstock.com

São tartarugas de hábito diurno e se alimentam de raízes, frutos, sementes, pequenos peixes, moluscos e crustáceos, e, portanto, são animais onívoros.

As fêmeas normalmente são maiores do que os machos. A espécie possui um único período reprodutivo anual. O período da desova começa em setembro e termina em dezembro. Após encontrar o local ideal para a desova, elas ficam em repouso no leito do rio durante quatro a cinco dias observando a praia de dentro da água e fazendo visitas ao local durante a noite para reconhecer os possíveis pontos de abertura da cova e formação dos ninhos. A oviposição pode durar até quatro horas e ocorre geralmente no período da noite, mas eventualmente podem ocorrer pela manhã, como observado nos rios Xingu e Trombetas, no estado do Pará. São depositados de 50 a 300 ovos que são cobertos com areia pelas fêmeas após concluir a desova. Os ovos são redondos e de casca flexível e eclodem após 40 a 80 dias de incubação. Assim como em outras espécies de quelônios, a temperatura é um fator ambiental importante para a determinação do sexo da tartaruga-da-amazônia, onde temperaturas mais elevadas no ninho resultam em um maior número de fêmeas e temperaturas mais baixas resultam em mais machos eclodindo dos ovos.

A principal ameaça à existência da tartaruga-da-amazônia ainda é o homem, pois embora a captura de adultos e a coleta de ovos de quelônios seja proibida pela legislação brasileira, essa é uma prática comum na Amazônia ainda nos dias de hoje. A implantação de hidrovias e reservatórios de usinas hidrelétricas também contribui para a perda e fragmentação do habitat deste animal na natureza.

Referências Bibliográficas:

Vogt, R. C.; Fagundes, C. K.; Bataus, Y. S. L.; Balestra, R. A. M.; Batista, F. R. W.; Uhlig, V. M.; Silveira, A. L.; Bager, A.; Batistella, A. M.; Souza, F. L.; Drummond, G. M.; Reis, I. J.; Bernhard, R.; Mendonça, S. h. S. T.; Luz, V. L. F. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de Podocnemis expansa (Schweigger, 1812) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7431-repteis-podocnemis-expansa-tartaruga-da-amazonia2.html

Tartaruga-da-amazônia. 2015. http://glo.bo/14uAf1d

Atlas virtual da pré-história. http://www.tartarugas.avph.com.br/index.htm

Ferreira, R. 2014. A verdade sobre a tartaruga-da-amazônia. http://www.oeco.org.br

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