Quelônios

Mestre em Ecologia (UERJ, 2016)
Graduada em Ciências Biológicas (UFF, 2013)

O grupo dos quelônios (Ordem Chelonia ou Testudinata) é representado pelas tartarugas, cágados e jabutis. Estes répteis apresentam placas ósseas dérmicas que se fundem originando uma carapaça dorsal e um plastrão ventral rígidos, cobertas de queratina, que servem de proteção para o corpo. Existem atualmente 13 famílias de quelônios, com 75 gêneros e 260 espécies conhecidas. Até o momento, no Brasil, existem 36 espécies de testudines, sendo a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) considerada a maior espécie de tartaruga de água doce do mundo, cuja carapaça chega a 75 centímetros de comprimento.

Acredita-se que as tartarugas tenham surgido durante o período do Carbonífero a partir de répteis Diápsidas (que possuem crânio com duas aberturas temporais). Ao longo desta evolução várias modificações ocorreram como a redução do número de vértebras, as costelas se fundiram formando a carapaça, a perda dos dentes (substituídos por lâminas córneas), a capacidade de retração da cabeça e membros para dentro da carapaça e a adaptação dos membros anteriores e posteriores de acordo com o tipo de ambiente.

Tartaruga verde marinha (Chelonia Mydas). Foto: Shahar Shabtai / Shutterstock.com

 

Tartarugas de galápagos (Geochelone nigra). Foto: Ryan M. Bolton / Shutterstock.com

Os quelônios apresentam alimentação onívora com dieta constituída por pequenos animais e por folhas, frutos e sementes. Aparentemente estes animais são oportunistas e a dieta varia de acordo com os itens alimentares mais disponíveis no ambiente em que ocorrem podendo apresentar uma alimentação mais carnívora ou mais herbívora. Os adultos de Podocnemis expansa (tartaruga-da-amazônia) têm a dieta constituída principalmente de material vegetal e, em determinadas épocas do ano, se comportam como onívoros, também ingerindo, em quantidades menores, alimentos de origem animal. Em algumas espécies ocorre variação sazonal na dieta, com presas sendo mais consumidas em determinados períodos do ano justamente por serem mais abundantes neste espaço de tempo. Outra variação que pode ocorrer na alimentação destes répteis é entre jovens e adultos (ontogenética), com os primeiros tendendo a manter uma dieta mais carnívora. Uma dieta rica em proteína animal durante a fase jovem possibilita uma maior taxa de crescimento o que aparentemente é vantajoso, uma vez que, nesta fase o risco de predação é maior do que nos adultos.

Todos os quelônios são todos ovíparos e o acasalamento se resume nos machos encontrando suas parceiras sexuais, a pré-cópula e a cópula. De um modo geral, o macho se aproxima da fêmea e através do olfato a examina provavelmente para determinação sexual. Tendo encontrado a fêmea, o macho passa a persegui-la e em algumas espécies é comum o macho tentar morder a fêmea como forma de estímulo tátil e imobilização da mesma. A pré-cópula se inicia quando o macho consegue montar na fêmea. Posteriormente ele aproxima a sua cloaca com a da fêmea e ocorre a inserção do órgão sexual formalizando a cópula. Depois da cópula, as fêmeas procuram locais para construir covas onde irão depositar seus ovos. O processo de nidificação geralmente tem cinco etapas: deambulação (procura ativa da fêmea por locais para fazer o ninho), abertura da cova, postura dos ovos, fechamento da cova com areia e/ou folhagem e abandono do ninho. O período de incubação dos ovos varia de acordo com a espécie.

Referências Bibliográficas:

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