Tenentismo

Graduada em História (UVA-RJ, 2014)

O tenentismo foi um movimento militar brasileiro com cunho político, durante o período de 1920 até 1930. O movimento possui essa nomenclatura pela maioria dos integrantes possuírem a patente de tenente. Os militares acabaram perdendo seu poder dentro da política, inaugurado no início da República com presidente Deodoro da Fonseca, que era marechal — maior hierarquia do exército.

No Brasil, durante República Velha os estados de São Paulo e Minas Gerais regiam o país como a política do café com leite, onde os presidentes deveriam ser eleitos segundo o acordo firmado por essa política, realizando alternância nos mandatos, ou seja, ora paulista, ora mineiro. Os presidentes eleitos eram civis, assim como os demais políticos.

O mundo tinha acabado de atravessar a Primeira Guerra Mundial, e após esse acontecimento era fundamental que todos os países fortalecesse suas forças militares. Mas o exército brasileiro nesse período passava por uma grande crise, pois o governo não repassava verbas para necessidades militares básicas como armamento, cavalos, medicamento e salários atrasados. Outro agravante era demora em promover troca de patentes, tenentes poderiam ficar anos na mesma função.

O propósito do tenentismo era reconquistar o poder perdido com a República Velha, e realizar outras propostas políticas como o voto secreto, fim da corrupção, Estado mais forte, reforma escolar, independência do Poder Judiciário, entre outras. Com o crescimento do tenentismo civis também adotaram o movimento, dando mais legitimidade às ideias tenentistas.

Para a execução dos planos articulados pelos tenentes foram realizados atos como meio de protesto e o cumprimento das reformas planejadas. As ações tomadas contra o governo vigente foram a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana (1922), a Comuna de Manaus (1924), a Revolução de 1924 e a Coluna Prestes (1925-1927).

Em 1929, a República Velha decidiu não eleger um presidente mineiro — nesse momento era de direito a eleição, mas surge a proposta de eleger um presidente paulista com a justificativa da quebra da bolsa de valores de 1929, que teve efeitos devastadores na economia cafeeira, onde São Paulo seria o mais prejudicado. Portanto, seria melhor um presidente paulista ao posto, mas o estado de Minas Gerais não aceita tal concessão e rompe com São Paulo. Minas Gerais, com o apoio de outros estados, principalmente do sul do país, forma a Aliança Liberal. Então, os tenentistas apoiam e integram a Aliança Liberal em 1929 com objetivo a quebra o regime.

No ano seguinte, o tenentismo foi essencial para que a Revolução de 1930 fosse bem sucedida, sob a liderança de Getúlio Vargas. Vargas soube recompensar seus aliados, nomeando alguns tenentes com funções políticas em alguns estados brasileiros. O tenentismo esteve presente em todo o governo de Vargas. No golpe militar de 1964 alguns do tenentes que participaram da Revolução de 1930 tiveram presentes como Ernesto Geisel, Castelo Branco e Médici.

Referências bibliográficas:

ARAÚJO, Bernardo Goytacazes. A Instabilidade Política na Primeira República Brasileira. Juiz de Fora: Ibérica. 2009.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. 1995.

FGV. CPDOC. Movimento Tenentista. Disponível em: <http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/CrisePolitica/MovimentoTenentista>.

LINHARES, Maria Yedda (ORG.). História Geral do Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000.

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