Distonia

Por Débora Carvalho Meldau
Distonia é um termo que define um grupo de doenças caracterizadas por espasmos musculares involuntários que geram movimentos e posturas anormais de determinada parte ou de todo o corpo.

Existem quatro tipos distintos de distonia. São elas:

  • Distonia focal: acomete apenas uma região do corpo, como os olhos, o pescoço ou as mãos.
  • Distonia segmentar: acomete duas partes próximas, como pescoço e um braço, por exemplo.
  • Hemidistonia: acomete um lado inteiro do corpo.
  • Distonia generalizada: afeta o corpo todo.

Normalmente, a etiologia é desconhecida. Há hipóteses que sugerem que os movimentos anormais resultam de uma disfunção de uma parte do cérebro, denominada núcleos da base (gânglios da base). Em determinadas situações, quando os núcleos da base param de funcionar corretamente, ocorre contração excessiva e involuntária de alguns músculos levando a movimentos e posturas distônicas.

Há quem defenda que esta afecção é causada por hiperatividade em algumas áreas do cérebro, como tálamo, córtex cerebral e gânglios basais (ou gânglios de base).

A distonia crônica apresenta origem genética. Esta afecção também pode ser conseqüência de hipóxia cerebral, intoxicação por certos metais pesados, reação a determinados fármacos, por doenças ou acidentes que levem a lesões em algumas áreas do cérebro, sendo está chamada de distonia secundária.

Distonias Focais

Este tipo de distonia costuma surgir na idade adulta, geralmente após os 30 anos de idade. As primeiras manifestações clínicas quase não são notadas, surgindo somente em certos momentos do dia e podem ter como gatilho algum ato motor específico, como, por exemplo, ler, falar, escrever ou andar. Depois de um tempo, as contrações musculares anormais tornam-se mais frequentes e intensas, surgindo mesmo durante o período de repouso. Nesse ponto, podem estar presentes níveis variáveis de dor na musculatura afetada. Habitualmente, os sintomas são apenas focais, mas em alguns casos, podem progredir e afetar a musculatura adjacente.

As denominações de distonias focais variam de acordo com o local do acordo acometido, sendo que as principais são:

  • Blefarospasmo: consiste no pestanejar involuntário e copioso que faz com que a pálpebra se feche. Os primeiros sintomas surgem como um aumento da frequência do ato de piscar, sensação de irritação nos olhos ou fotossensibilidade. Com o tempo, o piscar dos olhos tornam-se mais freqüentes e intensos, sendo substituídos por espasmos musculares que tornam difícil o ato de abrir os olhos. Em muitos casos, é comum a presença da dificuldade visual. O agravamento do quadro ocorre em situações de estresse e exposição á luz.
  • Distonia oromandibular: caracteriza-se por espasmos na região inferior da face, tais como os lábios, boca, língua e mandíbulas. Os sintomas mais freqüentes são a dificuldade para mastigar, abrir a boca, deglutir alimentos e articular as palavras.
  • Torcicolo espasmódico: esta representa a forma mais comum de distonia e é responsável por afetar a musculatura que sustenta o pescoço. Os espasmos podem afetar um ou vários músculos desse local, unilateral ou bilateralmente. Deste modo, a cabeça e o pescoço habitualmente apresentam alterações da postura, que podem ser rotação, desvio lateral, para frente ou para trás, ou então, a combinação desses movimentos. Em certos casos, o torcicolo pode gerar dor. Comumente observa-se variação na intensidade dolorosa que geralmente piora com o estresse, fadiga, melhorando com o repouso e quando em posição horizontal.
  • Disfonia espasmódica: neste caso, há o envolvimento das cordas vocais. A alteração da voz resulta de espasmos involuntários das pregas vocais, laringe e faringe. Comumente, relaciona-se à distonia de outros músculos faciais.
  • Câimbra do escrivão: inicialmente, quando um membro superior é afetado por movimentos distônicos, os espasmos ocorrem somente durante um tipo específico de movimento. Nesta fase, as distonias recebem o nome de câimbras ocupacionais. A mais conhecida é a câimbra do escrivão, que surge apenas no ato de escrever e fica restrita ao membro utilizado no momento. Todavia, com o passar do tempo, os espasmos podem afetar a realização de outros movimentos, podendo estar presente até mesmo durante o repouso.

Distonias Segmentares

Neste tipo de distonia, diversos grupos musculares adjacentes são afetados. O caso mais comum é a distonia cranial, que resulta da associação do blefarospasmos e a distonia oromandibular. Neste caso, pode haver o comprometimento da língua, laringe, faringe, cordas vocais e musculatura da região do pescoço.

Outros tipos de distonia segmentares englobam a distonia braquial (um ou ambos os membros superiores), crural (membros inferiores) e axial (tronco e/ou pescoço).

Hemidistonias

Este tipo de distonia pode surgir em qualquer idade e afeta os músculos de um mesmo lado do corpo. Os locais mais afetados são os membros ipsilaterais. São menos freqüentes do que as formas focais ou segmentares e costumam estar associadas a lesões estruturais nos núcleos da base controlaterais ao lado afetado do corpo.

Distonias Generalizadas

Este tipo de distonia é mais raro. As primeiras manifestações clínicas surgem na infância ou na adolescência, habitualmente como contrações distônicas em um ou ambos os pés, começando no andar, progredindo também para o período de repouso. A evolução é lenta e gradativa e, após certo tempo outras regiões do corpo são acometidas, resultando em intensa dificuldade motora. Nos casos mais graves, os pacientes apresentam dificuldade para andar.

As distonias generalizadas podem ser esporádicas, nos casos no qual não existem outros membros afetados na família, ou hereditária, quando ocorrem outros casos dentro da família.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Distonia
http://www.conhecersaude.com/mobile/adultos/3231-distonia.html
http://www.distonia.org.br/d1.html
http://www.manualmerck.net/?id=93&cn=877
http://www.distonia.com.br/pt-br/home.php

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