Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS)

Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, termo mais conhecido e difundido por meio de sua sigla, ZPCAS ou ZOPACAS, faz referência a um forum de diálogo e cooperação entre a totalidade das nações soberanas alinhadas através da conformação do Atlântico Sul, localizadas na América do Sul, África Ocidental, Equatorial e Meridional.

Estabelecida em 27 de outubro de 1986, através de uma iniciativa do Brasil, da qual extraiu-se uma resolução, a 41/11 da ONU, a ZOPACAS foi criada com o intuito de promover a cooperação regional, manutenção da paz e da segurança no entorno dos 24 países que aderiram a tal projeto.

Além das iniciativas de cooperação, destacam-se as iniciativas de caráter político-diplomático, em especial no campo da proteção ambiental, desnuclearização e solução pacífica de conflitos entre seus integrantes.

A ZOPACAS foi desenvolvida em um contexto no qual a Guerra-Fria se encaminhava para o seu final, sendo que uma sensação de incerteza e insegurança pairava no ambiente da política internacional. Com o tempo, os programas iniciais de cooperação militar, econômica e cultural foram ampliando-se gradualmente, abrindo espaço para discussões de problemas estruturais dos Estados associados, fundamentalmente os vinculados à estabilidade democrática, desenvolvimento econômico e meio ambiente, assuntos que os representantes brasileiros creditavam à época não estar entre as prioridades das nações mais desenvolvidas, sendo por isso negligenciados nos mais altos fóruns de diálogo mundial. É exatamente o pós Guerra Fria que irá incrementar as discussões propostas pela ZOPACAS, num momento em que se começava a dar atenção cada vez maior aos conceitos de regionalização e globalização, que vinham substituindo o ambiente bipolar de disputa entre União Soviética e Estados Unidos.

Desse modo, buscou-se com a formação deste grupo valorizar o entorno do Atlântico Sul, valorizar seu potencial de área estratégica, que desde sempre constituiu importante rota comercial mundial, servindo de conexão entre Europa e EUA com a Ásia. Além disso, busca tal união fortalecer a posição no cenário internacional desses 24 países, todos detentores de litoral, fonte extra de recursos naturais mais do que nunca valorizada em tempos atuais e ainda espaço de projeção do poder naval dos mesmos.

Atualmente, a situação do mercado global, onde a interdependência é cada vez mais valorizada, faz-se cada vez mais importante o incremento de tal união, que fortalece países com virtualmente os mesmos interesses de busca de um maior desenvolvimento.

Importante salientar que, apesar da busca da cooperação militar, como seu próprio nome já diz, um dos supremos objetivos da ZOPACAS é o de manter a paz e o normal convívio entre todos os países integrantes do bloco.

São os integrantes da ZOPACAS:

  • América do Sul: Argentina, Brasil e Uruguai;
  • África Meridional: África do Sul, Angola e Namíbia;
  • África Equatorial: Camarões, Congo, Guiné Equatorial, Gabão, Nigéria, República Democrática do Congo e São Tomé e Príncipe;
  • África Ocidental: Benim, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.

Bibliografia:
http://www.abed-defesa.org/page4/page7/page23/files/FCorrea-IBaptista-JCabrera.pdf - Página da ABED - Agência Brasileira de Estudos de Defesa - Souza, Isabela Gláucia de. O Estigma da Energia Nuclear na Defesa Nacional: a ZPCAS e a Declaração de Luanda de 2007.

http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/mesa-redonda-da-zona-de-paz-e-cooperacao-do-atlantico-sul-zopacas-brasilia-6-e-7-de-dezembro-de-2010 - Página do Itamaraty com nota à Imprensa sobre Mesa Redonda da ZOPACAS em Brasília, 6 e 7 de dezembro de 2010.

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