Governo de Washington Luís

Washington Luís Pereira de Sousa exerceu o décimo período de governo republicano, de 15/11/1926 a 24/10/1930. Advogado, nasceu em Macaé estado do Rio de Janeiro, em 1869. Após deixar o governo de São Paulo, Washington Luís, apelidado “paulista de Macaé” ocupa uma cadeira no senado. Concorrendo como candidato único, é eleito, em março de 1926, presidente da República.

washington luisDurante toda a década de 1920, a República Velha sofrera com a pressão das oposições. Num primeiro momento, o presidente parece conter satisfatoriamente as vozes dissidentes: a Coluna Prestes se dissolve, livrando o regime do mais importante foco das rebeliões tenentistas, e o movimento operário é inibido pela Lei Celerada de 1927, que censura a imprensa e restringe o direito de reunião.

No campo econômico, sua gestão é marcada por uma política de câmbio elevado, com o objetivo de favorecer as exportações e ao mesmo tempo, proteger a indústria nacional. Por outro lado, a importação (essencial para a consolidação da nascente indústria, por exemplo) era prejudicada pela alta nos preços dos artigos estrangeiros.

O governo de Washington Luís testemunhou ainda a maior crise da história do capitalismo, a crise econômica mundial de 1929, fruto da quebra da Bolsa de Nova Iorque, em 24 de outubro. No Brasil, ela derrubou a política de valorização do café, iniciada em 1906 com a assinatura do Convênio de Taubaté. O café era o produto que respondia por grande parte das exportações brasileiras, e, quase imediatamente, seu preço despencou.  A estabilidade do governo fica ameaçada, já que o presidente não permite nova desvalorização da moeda para salvar os cafeicultores.

Apesar da grave crise econômica, é a questão da sucessão presidencial que se mostrará a mais intrincada para o governo. No início de 1929, Washington Luís indica para sucedê-lo o presidente de São Paulo, Júlio Prestes. Como a regra da “política do café com leite” era a alternância entre paulistas e mineiros (o atual presidente representava os paulistas), a escolha desagradou os políticos de Minas Gerais. Os dirigentes mineiros aliam-se aos do Rio Grande do Sul para formar a Aliança Liberal, que receberia ainda o apoio dos grupos de oposição dos demais estados, além dos militares oriundos do movimento tenentista. A campanha eleitoral foi bastante acirrada, e o pleito é realizado em março de 1930, resultando na vitória da chapa situacionista.

Setores da Aliança Liberal, porém, articulam um movimento para depor Washington Luís. No dia 24 de outubro, tal movimento alcança o seu objetivo, deixando o governo a cargo de uma junta composta pelos generais Mena Barreto e Tasso Fragoso e pelo contra-almirante Isaías de Noronha. O poder é entregue, a 3 de novembro, a Getúlio Vargas, o candidato vencido nas eleições e comandante das forças revolucionárias.

Washington Luís ruma para o exílio, vivendo por 17 anos na Europa e nos Estados Unidos. Voltou ao Brasil em 1947 e fixou-se em São Paulo, onde morre dez anos depois.

 

Bibliografia:
Washington Luís. Disponível em: < http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/biografias/washington_luis >.
Washington Luís Pereira de Sousa. Disponível em: < http://www.biblioteca.presidencia.gov.br/ex-presidentes/washigton-luis >.