Zeugma

Por Paula Perin dos Santos
Zeugma e elipse possuem características parecidas. Enquanto na elipse existe a omissão de um termo não mencionado antes, na zeugma ocorre a omissão de um termo ou expressão anteriormente mencionada. Veja os exemplos:

“Um deles queria saber dos meus estudos; outro, se trazia coleção de selos (...)” (José Lins do Rego).

“A manhã estava ensolarada; a praia, cheia de gente”.

“A vida é um grande jogo e o destino, um parceiro temível (...)” (Érico Veríssimo)

Na primeira sentença, ocorre a omissão da expressão “queria saber”, já mencionada na primeira frase. Na segunda, está omisso o verbo “estava”, também presente na primeira afirmação. Na de Érico Veríssimo, está omisso o termo “é”, também mencionado na frase anterior.

Esta figura de linguagem, apesar de seu nome nada convencional, é bastante utilizada na modalidade escrita, pois é um recurso que possibilita não repetir o que já foi dito.

“Maria comprou um lápis; Antônio, um livro”.

“Quem me compra este
formigueiro?”

E este sapo, que é jardineiro?”
(Leilão de jardim - Cecília Meireles)

“Pensaremos em cada menina
que vivia naquela janela;
uma que se chamava Arabela,
outra que se chamou Carolina.”
(As meninas – Cecília Meireles)

Fontes
Literatura em Minha casa: Meus primeiros versos. Vol. 4. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2001.
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 405.
TUFANO, Douglas. Estudos de Língua Portuguesa – Minigramática. São Paulo, Moderna, 2007.