Gênero Lírico

Por Ana Lucia Santana
O Gênero Lírico nasceu de uma modalidade poética que era, no período medieval, cantada e executada ao som de instrumentos musicais como a lira, daí a origem da expressão ‘lírico’, a qual provém do latim ‘lyricu’.

A partir do momento em que o conteúdo do poema e a música se desligaram, o ritmo foi preservado através da metrificação dos versos, ou seja, do estabelecimento de uma medida para eles, contabilizada pela quantidade de sílabas poéticas.

Vocábulos, aliterações - repetições das mesmas letras, sílabas ou sons numa frase – e rimas são recursos, desde então, utilizados pelos autores de poesia como um meio de conservar a musicalidade da poesia. Eles se esmeram em cultivar sons de alta qualidade, estruturados na forma de ritmos e melodias que se alternam sucessivamente.

Neste gênero há um elemento fundamental, sem o qual não se poderiam expressar as emoções mais subjetivas, as condições da alma, os pensamentos, os sentimentos profundos; trata-se do ‘eu-lírico’, uma entidade fictícia perfeitamente distinguível do autor concreto. Ele nada mais é que uma peça-chave do discurso poético. Mas, com certeza, está aí presente também a visão de mundo do poeta, daí sua intensa subjetividade.

Embora a lírica seja basicamente composta por poemas, não necessariamente esta forma literária como um todo se enquadra neste gênero, pois o que determina a inclusão nesta categoria são suas características. Se elas não estiverem presentes em uma determinada poesia, ela então não será considerada como integrante desta modalidade.

Ao longo do tempo, a lírica sofreu diversas modificações. Sem perder suas virtudes essenciais, ela passou a englobar novas inquietações de natureza social e questões de fundo filosófico. Hoje ela empreende inclusive um mergulho em si mesma, procurando compreender o ofício poético.

No quesito formal, prevalece até hoje, primordialmente, o soneto. Ele é estruturado por quatorze versos, dois quartetos – estrofes de quatro versos - e dois tercetos – estrofes de três versos -, todos estritamente rimados, decassílabos, ou seja, compostos por dez sílabas; ou alexandrinos, integrados por doze sílabas. Este termo tem sua origem na palavra italiana ‘sonetto’, que tem o sentido de ‘pequeno som’.

Há também outras formas. A canção sublinha a antiga interação entre a poética e a música; seu principal tema é o amor, e suas estrofes contêm uma quantidade harmoniosa de versos, desembocando em uma estrofe menor, conhecida como ofertório, na qual o autor empreende uma síntese do que já foi dito ou oferece a poesia a sua musa.

A elegia compreende poemas que expressam emoções pungentes e divagações de conteúdo moral, com o objetivo de contribuir para que os leitores transcendam as etapas dolorosas de suas existências. A ode, que tem o sentido de ‘canto’, engloba as produções líricas formais e veementes, que abordam questões as mais variadas.

A écloga, ou ‘seleção’, enfoca a poesia pastoril, comumente composta na forma de diálogos. O epitalâmio é predominante na literatura grega, e sua função é prestar homenagens aos recém-casados no instante da cerimônia.  A sátira tem como objetivo escarnecer das imperfeições humanas ou de certos acontecimentos. Há igualmente outras modalidades: balada, rondó, rondel, haicai, oitavas e sextilhas.