Objeto Direto Preposicionado

Por Paula Perin dos Santos
Diz-se do objeto direto que vem precedido, excepcionalmente, de uma preposição (a, de, com,...). Essa preposição aparece por razões diversas, não pela regência obrigatória do verbo. Ou seja, o complemento não necessita de preposição, mas mesmo assim o autor insistiu em inseri-la. Por exemplo:

“Os revoltosos tomaram das armas”.

Observe a regência do verbo “tomar”. Trata-se de um verbo transitivo direto, pois, se transformarmos a oração em pergunta, “os revoltosos tomaram ‘o que’?”, a resposta que obteríamos seria “as armas”, e não “das armas”, como a frase sugere. Neste caso, a preposição de não é exigida pelo verbo: ela até poderia ser excluída, sem prejuízo de sentido.

“Os revoltosos tomaram as armas”.

Acredita-se que o uso da preposição, no primeiro exemplo, apenas dá ênfase à utilização das armas pelos revoltosos. Trata-se, pois de um recurso de estilo, não necessariamente da regência do verbo “tomar”.

Mesquita (2002) trata de alguns casos onde se deve usar obrigatoriamente a preposição antes do objeto direto:

1. Junto ao pronome quem, caso antecedente esteja expresso na frase:

“O homem a quem cumprimentara friamente era o anfitrião da festa”.

2. Com o pronome pessoal oblíquo tônico:

“Não a ti, Cristo, odeio ou menosprezo”. (Fernando Pessoa)

Agora, conheça algumas razões pelas quais o uso da preposição pode ou não ocorrer antes do objeto direto.

3. Para evitar a ambiguidade, com nomes próprios ou comuns.

“Judas traiu a Cristo”.

4. Para garantir a clareza da frase, com expressões de reciprocidade e com o objeto direto antes do verbo (ordem inversa da frase).

“Os parceiros do barão acusaram-se uns aos outros”. (Machado de Assis).

Ao médico é que não enganam”.

Para facilitar a identificação do termo numa frase, vale seguir a mesma dica para descobrir o objeto direto. Descobrindo-o, e percebendo a presença da preposição, tem-se assim um objeto direto preposicionado.

REFERÊNCIAS
MESQUITA, Roberto Melo. Gramática da Língua Portuguesa. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 421-2.
SAVIOLI, Francisco de Platão. Gramática em 44 lições. 15. ed. São Paulo: Ática, 1989, p. 18.