Objeto direto preposicionado

Mestra em Letras e Linguística (UFG, 2016)
Licenciada em Letras-Português (UFG, 2009)

O Objeto Direto Preposicionado é um complemento verbal que integra-se ao sentido do verbo transitivo direto por meio de uma preposição ou de outro termo que faça esta integração.

Observe alguns exemplos de objetos diretos preposicionados:

  • O aluno a quem examinarei não chegou.
  • Os bombeiros defenderam a todos.
  • Vou louvar aos Deuses.
  • Amo a todos aqui.
  • A político desonesto ninguém fale.

Agora, leia as orações a seguir para observar a ocorrência do verbo “odiar” em duas situações:

  • Não odeio ninguém que pense diferente de mim.
  • Não odeio a ninguém.

Repare que o verbo “odiar” é transitivo direto (1) e também pronominal (2), por isso admite as duas formas de construção permanecendo semanticamente inalterado.

Essa manutenção se sentido do verbo “odiar” indica que, na fala, no uso da linguagem coloquial, a ausência da preposição “a” seria imperceptível aos usuários da Língua Portuguesa. Entretanto, na escrita, na modalidade padrão da Língua, a Gramática Normativa orienta a utilização do objeto direto preposicionado.

Diferença entre Objeto Direto Preposicionado e Objeto Indireto

O Objeto Direto Preposicionado pode ser facilmente confundido com um Objeto Indireto. Antes de conhecer a respeito do que os diferencia, é importante relembrar que:

  1. A transitividade verbal está relacionada aos Termos Integrantes, os quais exercem função sintática indispensável para a produção de sentidos dos enunciados verbais, falados ou escritos.
  2. Os Termos Integrantes são os Complementos Verbais (Objeto Direto e Objeto Indireto) os Complemento Nominais e o Agente da Passiva.
  3. O Objeto Direto é um Termo Integrante das orações, o qual vincula-se aos sentidos dos Verbos Transitivos Diretos de maneira direta, sem a mediação de preposição.
  4. O Objeto Indireto vincula-se aos sentidos dos Verbos Transitivos Indiretos por meio de uma Preposição.
  5. Existem dois tipos de Objetos Diretos: o Preposicionado e o Pleonástico.

A par destas informações, fica claro por que muitos estudantes da sintaxe da língua portuguesa têm dúvidas para diferenciarem o objeto indireto, que necessita de preposição para integrar-se ao sentido do verbo transitivo indireto, e o objeto direto preposicionado, o qual também “pede” uma preposição para integrar-se ao sentido do verbo transitivo direto.

Pode parecer um pouco estranho um Verbo Transitivo Direto necessitar de auxílio preposicional, mas há alguns casos sugeridos pela Gramática Normativa.

Veja a seguir os casos em que isto pode ocorrer:

1. O Objeto Direto deve ser Preposicionado quando os Verbos Transitivos Diretos forem um dos Pronomes Pessoais Tônicos, como: mim, ti, ele, eles, ela, elas.

  • Se deres ouvido a ele, ofenderás a mim.
  • Quero sentir a ti.
  • Marina ama a ela.

2. O Objeto Direto deve ser Preposicionado quando representar o nome de Deus.

  • É bom que todos amem a Deus.
  • Adorar a Deus fortalece.
  • Ana ama a Deus.

3. Quando o Objeto Direto é um Pronome Substantivo Demonstrativo Indefinido ou Interrogativo, este deve ser Preposicionado.

  • Sugiro agora a este.
  • O presidente ofendeu a todos.
  • A quem amas?

4. O Objeto Direto deve ser Preposicionado quando for possível solucionar uma ambiguidade (duplo sentido).

  • Na Copa do Mundo, dominaram aos argentinos os brasileiros.
  • Venceram aos brancos os exércitos vermelhos.

5. O Objeto Direto deve ser Preposicionado quando acompanhado de Verbos Transitivos Diretos que exprimem sentimentos.

  • Saúdo a todos.
  • Não quero magoar a ninguém.
  • A todos, sempre amarei.

Referência:

ABURRE, Maria Luiza M. Gramática: texto: análise e construção de sentido. Volume único. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 396, 397, 398.

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