Movimentos artísticos brasileiros

Graduada em Artes-Dança (Unicamp, 2018)

Publicado em 15/03/2022
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Dizer que a história da arte no Brasil iniciou apenas no período de colonização é ignorar a riqueza e a diversidade da arte indígena que já existia no território e, até mesmo, da arte pré-histórica. Com a chegada dos Portugueses, as tendências da arte europeia passaram a ser introduzidas em terras brasileiras. Ademais, alguns anos depois o intercâmbio cultural dos artistas brasileiros na Europa também contribui para a miscigenação Brasil-Europa.

Ao longo dos anos, diferentes tendências artísticas prevaleceram acompanhando as referências históricas de cada momento. No período colonial, o Barroco é introduzido, mas ganha força somente no século seguinte. Já no século XIX, a fase neoclassicista, com o romantismo e a Escola de Belas Artes, é considerada pelos colonizadores a arte oficial do Brasil.

Sequencialmente, no início do século XX, a Semana de Arte Moderna marca a introdução do modernismo e das correntes artísticas de vanguarda no Brasil. Por fim, ao longo do século, o concretismo e a arte contemporânea ganham espaço em terras brasileiras.

Barroco

Apesar da introdução barroca ter acontecido com a chegada dos portugueses no período colonial, é apenas no século XVIII que ganha força e atinge o seu auge em 1760, com o rococó e o barroco mineiro, variações do movimento europeu.

A igreja sempre foi a grande financiadora desse movimento artístico, uma vez que ele beneficiava ela própria com a arquitetura e decoração de seus templos. Todavia, foi apenas quando instituições como irmandades, confrarias e ordens terceiras passaram a investir em arte que o barroco teve seu auge e a igreja perde se enfraquece.

O barroco brasileiro é uma fusão de diferentes tipos de barroco europeu, do português ao francês. Entretanto, a exuberância da fachada de igrejas barroco-europeias é substituída por uma simplicidade e elegância no exterior das igrejas brasileiras com interiores ricamente decorados.

Além disso, o rococó, uma das versões brasileiras do barroco, carrega algumas características relevantes:

  • Extrema religiosidade mesmo sendo financiado por associações leigas;
  • Templos harmônicos e com uma arquitetura circular dinâmica;
  • Decorações internas com o uso de esculturas em pedra sabão;

Alguns renomes do barroco brasileiro são: o escultor Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa), o pintor Mestre Ataíde (Manoel da Costa Ataíde) e o poeta Gregório de Matos.

Fauvismo

A partir do intercâmbio cultural de artistas brasileiros na França, o fauvismo chega no Brasil. Essa é uma corrente artística conhecida pelo seu intenso uso de cores fortes e quentes, além da temática ser isenta de críticas político-sociais, trazendo uma leveza para as obras.

Diferentemente da Europa, o fauvismo brasileiro não teve uma grande adesão dos artistas, isto é, poucos são os artistas exclusivamente fauvistas ou que tiveram uma fase unicamente do fauvismo em sua trajetória artística. Ademais, no Brasil o auge do movimento não foi temporalmente concomitante com o ápice em terras francesas. Contudo, até os dias atuais, as características do fauvismo são observadas no acervo de muitos artistas nacionais.

Para definir um quadro pertencente ao fauvismo ou não, algumas características técnicas são observadas:

  • Variado uso de cores quentes e vibrantes;
  • Técnica de pincelada mais espaçada;
  • Redução na sensação de profundidade das obras;
  • Interpretação individual acerca do uso do contraste entre luz e sombra;
  • Recusa em dimensionar a obra de forma intelectual;

Inimá José de Paula, Arthur Timótheo da Costa e Mário Navarro da Costa fazem parte do seleto grupo de artistas brasileiros que utilizaram abertamente em seus processos criativos as técnicas do fauvismo.

Cubismo

O cubismo chega ao Brasil em meio a um cenário instável entre a arte mais conservadora e os pensamentos modernistas trazidos pela Semana de Arte Moderna de 1922. Dessa forma, não há artistas brasileiros exclusivamente cubistas, mas sim há aqueles que mesclam o cubismo com outros movimentos artísticos vanguardistas em suas obras.

Apesar do caráter experimental dos cubistas, as obras referentes a esse movimento artístico têm algumas características visuais inconfundíveis:

  • Geometrização das figuras que gera a sensação de fragmentação;
  • Retrata diferentes perspectivas de um mesmo objeto ou pessoa no quadro;
  • Rompimento com a perspectiva;
  • Desconexão com a realidade;

Vicente do Rego Monteiro é um nome referência do cubismo no Brasil. Sua interpretação do movimento foi autêntica e atrelada a cultura nacional envolvendo temas acerca dos mitos indígenas brasileiros.

Tarsila do Amaral em sua fase denominada pau-brasil traz referência do cubismo em suas obras. Nesse período, a artista traz as características cubistas marcantes ao retratar ruas, plantas tropicais, caboclos e negros.

Outros artistas como Emiliano Di Cavalcanti, Anita Malfatti e Antônio Gomide também são significantes para a presença do cubismo no Brasil.

Abstracionismo

A tendência abstracionista começa a surgir na Europa por volta de 1910, porém, apenas trinta anos depois que ele passa a ter relevância no Brasil. Entretanto, foi apenas após a realização da 1ª Bienal de São Paulo, em 1951, que o movimento de arte abstrata no Brasil ganhou força.

O abstracionismo não necessariamente é um movimento artístico em si, ele tem o seu valor e relevância em frentes de grandes movimentos vanguardistas europeus como o expressionismo alemão, o fauvismo, o cubismo e o expressionismo abstrato.

No Brasil, a arte abstrata traz um rompimento com a representação da realidade contrariando os padrões estéticos tradicionais da pintura de observação ou da fidelidade à representação exata. Dessa forma, temas oriundos do mundo interno dos artistas passam a ser relevantes. Sonhos, desejos, medos e emoções são colocados na tela de forma não convencional, indo de encontro à cópia ou à referência exata do mundo real.

Além disso, a experimentação de novas técnicas, o uso de cores vivas e a rejeição à perspectiva tradicional tridimensionalista são outras características do abstracionismo.

Após a criação do Atelier Abstração, em 1950, pelo pintor Samson Flexor, o abstracionismo no Brasil se consolida em duas vertentes: os expressionistas abstratos e os neoconcretistas.

Os expressionistas abstratos são representados por artistas como Yolanda Mohaly, Tomás lanelli e Manabu Mabe. Mabe tem seu destaque uma vez que fez parte da introdução da arte abstrata no Brasil. O artista registra as coloridas belezas brasileiras através em sacos de café ou de pão utilizando lápis crayon japoneses. Seu estilo é conhecido como pintura gestual, pois une a caligrafia japonesa com manchas cromáticas.

Por sua vez, os neoconcretistas têm Lygia Pape, Aluísio Carvão e Lygia Clark compondo o grupo de artistas. Clark, provavelmente o nome mais conhecido dos três, faz uma transição das artes plásticas para a escultura de expressões corporais, mas mantém o abstracionismo como referência técnica e estética.

Antônio Bandeira é o artista brasileiro com mais destaque no exterior. Através de traços e pinceladas, propõe uma relação livre entre os elementos da obra, criando assim, uma espécie de memórias da realidade que vista, a partir de uma perspectiva estética abstrata.

Referências bibliográficas:

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COM ALMA.Conheça a Linha do Tempo da Arte Brasileira. Disponível em: <https://comalma.com.br/conheca-linha-do-tempo-da-arte-brasileira/ > Acesso em: 03 mar. 2022

HISTÓRIA DAS ARTES. Cubismo. Disponível em: <https://www.historiadasartes.com/nobrasil/arte-no-seculo-20/cubismo/ > Acesso em: 03 mar. 2022

LAART. Arte Abstrata no Brasil. Disponível em: <https://laart.art.br/blog/arte-abstrata-brasil/ > Acesso em: 03 mar. 2022

LAART. Cubismo no Brasil. Disponível em: <https://laart.art.br/blog/cubismo-no-brasil/ > Acesso em: 03 mar. 2022

LAART. Fauvismo no Brasil. Disponível em: <https://laart.art.br/blog/fauvismo-no-brasil/ > Acesso em: 03 mar. 2022