Geologia de Marte

Mestre em Astronomia (Observatório Nacional, 2016)
Graduado em Física (UFRPE, 2014)

Geologia de Marte, ou areologia, é o ramo da ciência que estuda a estrutura, os processos físicos e a composição que constituem a superfície, a crosta e o interior do planeta vermelho.

Marte possui um diâmetro de 3390 km (metade do terrestre), se localiza a 1,5 U.A.¹ do Sol, possui um ano de 687 dias e um dia de 23,9 horas. Ele não possui campo magnético, contudo existem algumas partes da crosta no hemisfério sul que são bastante magnetizadas, o que sugere que houve campo magnético há 4 bilhões de anos. Sua atmosfera bastante tênue é composta por nitrogênio e CO2 e não protege o planeta de impactos de meteoros, asteroides ou cometas.

Imagem de Marte em que pode-se ver uma grande calota de gelo no polo norte. Um estudo feito pela Universidade do Texas encontrou remanescentes da calota polar austral abaixo da superfície do planeta. Foto: NASA / JPL

A crosta do planeta é composta, principalmente, por silicatos de ferro e de magnésio, distribuídos em basaltos vulcânicos com alto teor de óxidos de ferro (que fornece a famosa cor vermelha do planeta), ferrosilicatos e aluminatos. O núcleo, que compõe 21% da massa do planeta, é composto 78% por ferro metálico, e o restante por enxofre, liga com níquel e cobalto. A história geológica marciana é dividida em três períodos: Noachiano, Hesperiano e Amazônico.

O período pré-Noachiano é caracterizado pela formação de Marte até a solidificação da superfície. Escala em milhões de anos. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Escala_de_tempo_geológico_marciano. Acesso em: 29 de mar. de 2020

O período Noachiano é caracterizado por uma superfície repleta de crateras de diversos tamanhos, consequência do alto bombardeamento de meteoros, e alta atividade vulcânica. A atmosfera era mais densa e possuía um efeito estuda mais denso do que podemos observar hoje e a água líquida, então presente, erodiu depósitos de materiais ejetados pelas colisões, principalmente em bacias sedimentares no norte do planeta.

No período Hesperiano, a atividade vulcânica diminuiu, localizando-se em centros específicos, o que gerou uma diminuição do volume de lava. O impacto dos meteoritos, a atividade vulcânica e as falhas crustais² geraram o descongelamento do gelo, o que levou ao transporte de sedimentos pela água. Nesse período, também, a atmosfera passou a ser mais tênue, o que fez com que as temperaturas globais diminuíssem, gerando formação de cobertura de gelo nos polos e em regiões altas.

O período Amazônico, que se mantém até hoje, a atividade vulcânica é escassa e presente apenas em alguns locais específicos e o clima passou a ser frio e seco, resultando em água apenas no formato de gelo nos polos e abaixo da superfície. Nesse período, acontecem tempestades de areia que se alastram por todo o planeta vermelho, sendo esse um dos principais processos sedimentares que ocorrem na superfície.

Hoje, Marte é repleto de crateras distribuídas de forma não uniforme: o sul é uma região alta com muitas crateras, muitas delas enormes, e o norte é uma região mais baixa e plana. O maior pico do Sistema Solar, que se localiza na região norte, próximo ao equador de Marte, é o Monte Olimpo, um vulcão extinto de 624 km de diâmetro e 26 km de altitude.

Mapa topográfico das regiões norte (esquerda) e sul (direita) de Marte feito através dos dados obtidos pela sonda Mars Global Surveyor Orbiter da missão MGS. Na imagem à direita, a região arroxeada é onde se localiza a cratera Hellas, a região mais profunda de Marte, a 4 km de profundidade. Créditos: NASA/JPL

¹ Uma unidade astronômica (U.A.) corresponde à distância média da Terra ao Sol.

² Falhas crustais: regiões da crosta onda as rochas são quebradas ou deslocadas.

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Referências:

BRANCO, Hely Cristian. GEOLOGIA PLANETÁRIA: O PLANETA TERRA COMO MODELO ANÁLOGO PARA ESTUDO DE CORPOS PLANETÁRIOS. Departamento de Geologia. Universidade Federal do Paraná. Curitiba. 2016. Seção 7: Marte, o planeta vermelho. Disponível em: <http://www.geologia.ufpr.br/portal/wp-content/uploads/2018/10/Hely-Branco-TCC.pdf>. Acesso em: 29 de mar. de 2020

MARS TOPOGRAPHY. NASA Propulsion Laboratory. Disponível em: <https://www.jpl.nasa.gov/spaceimages/details.php?id=PIA02820>. Acesso em: 29 de mar. de 2020

OLYMPUS MONS. NASA’s Mars Exploration Program. Disponível em: <https://mars.nasa.gov/gallery/atlas/olympus-mons.html>. Acesso em 29 de mar. de 2020

MARS. NASA Science Solar System Exploration. Disponível em: <https://solarsystem.nasa.gov/planets/mars/in-depth/>. Acesso em: 29 de mar. de 2020

MASSIVE MARTIAN ICE DISCOVERY OPENS A WINDOW INTO RED PLANET’S HISTORY. UT News. Disponível em: <https://news.utexas.edu/2019/05/22/massive-martian-ice-discovery-opens-a-window-into-red-planets-history/>. Acesso em: 29 de mar. de 2020

GEOLOGY OF MARS. Wikipedia. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Geology_of_Mars>. Acesso em: 29 de mar. de 2020

GEOLOGIA DE MARTE. Wikipedia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Geologia_de_Marte>. Acesso em: 29 de mar. de 2020

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