Roberto Campos

Roberto de Oliveira Campos foi um filósofo, economista, diplomata, professor, escritor e político brasileiro. Natural da cidade de Cuiabá no estado do Mato Grosso, filho do professor Waldomiro e da costureira Honorina, ficou órfão de pai com apenas 5 anos de idade. Marido de Stella e pai de Sandra, Roberto e Luís Fernando. Foi o maior defensor da liberalização da economia brasileira no século XX, e nasceu no ano de 1917, o mesmo ano da Greve Geral no Brasil, da revolução comunista na Rússia e em plena Primeira Guerra Mundial, no dia 17 de abril.

Apesar ser lembrado como um homem que via o governo apenas como um mal necessário e o Capitalismo como indispensável para o avanço do país, ele começou na vida pública como um keynesiano, defensor do controle estatal na economia. Por isso, ele esteve envolvido na criação de diversas empresas estatais no Brasil, tal como a Eletrobrás. Mas mesmo nessa época ele era um defensor da fiscalização dos gastos públicos. Pouco a pouco Campos transformou-se num defensor do Liberalismo Econômico, chegando a admitir que só deveria ter lido Friedrich Hayek, economista da Escola Austríaca e antagonista de John Maynard Keynes.

Senador Roberto Campos discursa na Assembleia Nacional Constituinte. Foto: Câmara dos Deputados. Via Wikimedia Commons. CC-BY.

Para o ex-presidente do Banco Central, Carlos Lagoni, Roberto Campos lançou a semente do Estado Minimalista no Brasil em uma época em que o Estado era tudo na economia. Por pregar o Liberalismo em um país em que ele era considerado uma heresia, Roberto Campos foi chamado pela esquerda de “entreguista” e até apelidado de “Bob Fields” (Fields é Campos em inglês, e Bob é um apelido para Robert, grafia inglesa de Roberto), para taxá-lo de defensor de interesses de países estrangeiros. Seu neto, que também se chama Roberto Campos, tornou-se presidente do Banco Central em 2019.

Campos se formou em Filosofia no ano de 1934, e na Teologia em 1937, nos Seminários Católicos de Guaxapé e Belo Horizonte. Através de um concurso, se tornou parte do Serviço Diplomático Brasileiro em 1939. Em 1942 já era cônsul do Brasil em Washington, onde fez mestrado em Economia na Universidade George Washington. Foi secretário da Delegação Brasileira na Conferência Monetária Financeira da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bretton Woods, onde foi criado o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, em 1944. Foi transferido para Nova York em 1947 representando o Brasil na ONU até 1949, ano em que ele deixou a América e começou a trabalhar para a Chancelaria do Brasil.

De 1951 a 1954 Roberto Campos foi um dos assessores econômicos de Getúlio Vargas, onde auxiliou no projeto de criação da Petrobrás, e ainda participou da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos para o Desenvolvimento Econômico e da implementação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), sendo um dos seus primeiros diretores, e o presidindo entre 1958 e 59. Em 1953 foi cônsul do Brasil em Los Angeles. Também coordenou as ações econômicas do Plano de Metas do Governo Juscelino Kubitschek e foi ministro do Planejamento e Coordenação Econômica.

Roberto Campos fez pós-graduação na Universidade de Columbia, Nova York; e se tornou Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova York em 1958. Durante o governo de João Goulart, Campos foi embaixador do Brasil em Washington, onde exerceu o cargo entre 1961 e 1964. Comandou o Ministério do Planejamento no governo do presidente Castelo Branco, cargo que exerceu até 1967. No governo do general Geisel foi embaixador do Brasil em Londres.

Em 1982 Roberto Campos elegeu-se senador pelo estado do Mato Grosso e em 1990 tornou-se deputado federal pelo Rio de Janeiro, reelegendo-se em 1994. De 1988 a 1995 foi colunista no jornal O Estado de S. Paulo. Era ainda autor da coluna “Lanterna na Popa”, nome correspondente ao seu livro mais famoso, na Folha de S. Paulo. No ano de 1999, foi eleito para suceder o romancista, contista e teatrólogo baiano Dias Gomes na cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras. Cinco anos antes do fim de sua vida, Campos recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Francisco Marroquim na Guatemala, em 1996. Morreu aos 84 anos, vítima de um infarto agudo do miocárdio no dia nove de outubro de 2001.

REFERÊNCIAS:

Academia Brasileira de Letras. Roberto Campos: Biografia. Disponível em: <http://www.academia.org.br/academicos/roberto-campos/biografia>. Acesso em 09 de abril de 2019.

Academia Brasileira de Letras. Roberto Campos: Perfil do Acadêmico. Disponível em: <http://www.academia.org.br/academicos/roberto-campos>. Acesso em 09 de abril de 2019.

Estadão Conteúdo. Roberto Campos, o pregador incansável do liberalismo. Disponível em: <https://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/6358560/roberto-campos-o-pregador-incansavel-do-liberalismo>. Acesso em 09 de abril de 2019.

Folha de S.Paulo. Roberto Campos morre aos 84 anos no Rio. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u25580.shtml>. Acesso em 09 de abril de 2019.

FRAZÃO, Dilva. Roberto Campos. Disponível em: <https://www.ebiografia.com/roberto_campos/>. Acesso em 09 de abril de 2019.

Instituto Liberal de Minas Gerais. Roberto Campos. Disponível em: <https://ilmg.org.br/roberto-campos/>. Acesso em 09 de abril de 2019.

SANTIAGO, Emerson. Greve Geral de 1917. Disponível em: <https://www.infoescola.com/historia-do-brasil/greve-geral-de-1917/>. Acesso em 09 de abril de 2019.

VIANA, Jefferson. Lanterna na Popa e a Pregação no Deserto. Disponível em: <https://www.institutoliberal.org.br/blog/lanterna-na-popa-e-pregacao-no-deserto/>. Acesso em 09 de abril de 2019.

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