Ecótono

Mestre em Ciências Biológicas (UFRJ, 2016)
Graduada em Biologia (UFRJ, 2013)

Os ecótonos são ambientes de transição entre dois ecossistemas vizinhos. Esses locais são formados pelas fronteiras de diferentes comunidades fechadas. Dessa forma, algumas das espécies de cada uma dessas comunidades atingem seus limites de distribuição na região de ecótono, pois geralmente não são adaptadas para sobreviver no ecossistema que se segue. Outras espécies, porém, possuem maior tolerância ambiental e sua distribuição pode se estender através da região de ecótono e ainda incluir o ecossistema vizinho. Algumas espécies se distribuem apenas na região de ecótono, pois encontram seu ambiente ideal justamente nessa zona de transição, que contém um pouco das características de ambos os ecossistemas.

Os ecótonos são muitas vezes formados por diferenças de fatores ambientais de duas áreas, como tipo de solo e índice de chuvas. A distribuição das espécies é determinada por esses fatores ambientais (fatores abióticos) e pelas próprias interações entre as espécies, como competição e predação (fatores bióticos).

As plantas possuem o importante papel de produtoras na estrutura de um ecossistema, formando sua base. O padrão de distribuição de comunidades de animais consumidores responde então ao padrão observado nas comunidades vegetais. Com isso, quando há uma área de transição entre comunidades vegetais distintas, essa área também funciona como uma área de transição entre comunidades animais. Embora um ecótono possa ser percebido por muitas espécies, nem todas as espécies têm suas distribuições afetadas por ele. Isso depende de quão dependente uma espécie é das características de um ecossistema específico.

Os ecótonos podem ser caracterizados tanto como uma região mais ampla onde são vistas mudanças graduais entre duas áreas, como uma região limite onde diferenças agudas separam comunidades bem distintas. Um exemplo deste tipo de ecótono seria a interface entre terra e água.

A característica heterogênea das regiões de ecótonos faz com que muitos deles apresentem uma variedade de nichos e consequentemente uma biodiversidade alta, indicando que processos de especiação são comuns nessas regiões. Essa especiação acaba gerando um alto número de espécies endêmicas, ou seja, espécies que ocorrem somente naquele local. Porém, alguns ecótonos não têm a endemicidade como característica marcante, mas são formados por uma combinação de espécies provenientes das comunidades adjacentes, apresentando maior ou menor diversidade.

De qualquer forma, um ecótono se apresenta como uma região única sendo considerados potenciais indicadores de resposta a mudanças climáticas e reguladores de fluxos entre ecossistemas. No Brasil, o IBAMA mapeou os biomas e ecorregiões nacionais, definindo também seus ecótonos. O ecótono Cerrado-Amazônia, por exemplo, se mostrou maior que os biomas Costeiro e Campos Sulinos, correspondendo a 4,85% do país. Com cerca de 60% de sua área desmatada, esse ecótono está localizado quase totalmente dentro do arco do desmatamento da Amazônia, sendo encontrada nele a maior concentração de matas secas do país. Também foi registrado o ecótono Caatinga-Amazônia, que abrange 1,7% do país, e o ecótono Cerrado-Caatinga, com 1,3% do território nacional.

Referências:

Kark, S. & Rensburg, B. J. V. 2006. Ecotones: Marginal or central areas of transition? Israel Journal of Ecology & Evolution, 52: 29-53.

Malanson, G. P. 1997. Effects of feedbacks and seed rain on ecotone patterns. Landscape Ecology, 12: 27-38.

Ricklefs, R. E. 2009. A Economia da Natureza. 5ª ed. Editora Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 503 p.

Sites:

http://www.mma.gov.br/informma/item/1132-ibama-conclui-mapeamento-das-ecorregioes-brasileiras

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