Esporângio

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2012)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2007)
Graduação em Ciências Biológicas (Universidade de Guarulhos, 2003)

Esporângio, termo de origem grega, onde spora significa semente e angeion, urna. Portanto, estruturas unicelulares ou pluricelulares cuja função é a produção de esporos. Os esporângios estão presentes em organismos que apresentam ciclo de vida com alternância de gerações, ou em organismos que apresentem tais estruturas, cuja função exclusiva caracteriza a produção de esporos. Tais estruturas estão presentes em algumas espécies de algas, outros protistas heterótrofos, fungos e algumas plantas terrestres.

Fungos

Quitridiomicetos são fungos aquáticos (ou fungos zoospóricos) com 494 espécies descritas. Estes fungos não apresentam septos nas hifas (células típicas dos fungos) e são os únicos organismos com células flageladas que pertencem ao reino dos fungos. Apresentam ciclos reprodutivos variáveis, dentre eles ciclos com alternância de gerações que podem ser isomórfica ou heteromórfica. O gênero Allomyces foi bem documentado e assim como as plantas possui esporófito (2n) e gametófito (n). O esporófito é responsável pela produção de zoósporos (células flageladas) no interior de esporângios. Estes zoósporos podem ser produzidos durante a reprodução sexuada onde ocorre meiose e os esporos retornam a condição haploide. Porém, os esporos podem permanecer diploides se a diferenciação ocorrer por mitose durante a reprodução assexuada.

Mucoromycotina e afins (antigos zigomicetos), conhecidos também como fungos do açúcar não possuem septos no micélio (conjunto de hifas). O único local onde o septo aparece é na delimitação entre esporangiósporo e esporângio, estruturas responsáveis pela produção de esporos após a divisão meiótica durante o ciclo de vida.

Esporângios de Rhizopus sp. fungo responsável pelo mofo e bolor em alimentos. Foto: Rattiya Thongdumhyu / Shutterstock.com

Mixomicetos e Oomicetos

Oomicetos e organismos plasmodiais (mixomicetos) antigamente eram considerados fungos, mas foram segregados do reino Fungi após o conhecimento obtido a partir de dados moleculares. Por convenção, estes seres vivos são tratados como protistas. Os oomicetos são organismos aquáticos e heterótrofos; espécies com reprodução assexuada possuem gametas biflagelados (2n) conhecidos como zoósporos que são produzidos por zoosporângios (2n), um tipo de esporângio. Mixomicetos não têm parede celular e dependendo da condição ambiental se apresentam como uma massa plasmodial (plasmódio), cuja movimentação é ameboide. Durante a reprodução sexuada o plasmódio (2n) pode se diferenciar em esporângio (2n), estrutura que originará esporos (n) durante a divisão meiótica. Os esporos germinam e liberam gametas que continuam o ciclo de vida até formar um novo plasmódio.

Macroalgas

Algumas espécies de algas com talos multicelulares apresentam esporângios (2n), que originarão esporos (n) após a meiose durante a reprodução sexuada com alternância de gerações. Em ciclos de vida como de Laminaria sp. (alga parda) e Ulva sp. (alga verde) há produção de esporângios, ao passo que Polysiphonia sp. (alga vermelha), os esporos podem ser produzidos em várias fases e as estruturas responsáveis por esta produção são conhecidas como carposporângio e tetrasporângio.

Plantas terrestres

Antóceros, hepáticas e musgos possuem esporângios multicelulares capazes de produzir inúmeros esporos, sendo esta uma das adaptações que garantiram o sucesso da transição de organismos do ambiente aquático para o terrestre.

A alternância de gerações heteromórficas em plantas terrestres caracteriza-se pela presença do esporófito diploide (2n) notavelmente distinto do gametófito haploide (n). Diferente de antóceros, hepáticas e musgos, as traqueófitas (plantas terrestres vasculares) possuem maior quantidade de esporófitos, que por sua vez produzem inúmeros esporângios (poliesporangiófitas) para assim, originarem maior quantidade de esporos e garantirem a dispersão destes no ambiente.

Leia também:

Bibliografia recomendada:

http://tolweb.org/tree/ (consultado em agosto de 2018)

Evert, R.F. & Eichhirn, S.E. 2014. Raven/ Biologia Vegetal. 8ª edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, pp.278-316

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Fidalgo, O. & Fidalgo, M.E.P.K. 1967. Dicionário Micológico. Rickia – Série Criptogâmica dos “Arquivos de Botânica do Estado de São Paulo”. Instituto de Botânica, São Paulo. 232pp.

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