Gnetófitas (Divisão Gnetophyta)

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica de São Paulo, 2017)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica de São Paulo, 2012)
Graduação em Biologia (UNITAU, 2006)

Publicado em 10/01/2019

As gnetófitas, da Divisão Gnetophyta, pertencem ao grupo das gimnospermas. As gimnospermas são plantas vasculares que apresentam sementes, porém não estão presentes as flores e os frutos. Elas representam um importante avanço evolutivo, pois foram as primeiras plantas a produzirem uma estrutura protetora para o embrião (a semente), além de não apresentarem uma dependência direta da água para sua reprodução.

Existem cerca de 70 espécies pertencentes às gnetófitas, compreendendo apenas três gêneros: Gnetum, Ephedra e Welwitschia. Gnetum são encontradas em florestas tropicais e subtropicais, sendo formadas por árvores ou trepadeiras com folhas grandes e coriáceas, apresentando similaridades com as dicotiledôneas (Figura 1). Suas sementes são carnosas e, juntamente com as folhas, são utilizadas na culinária (Figura 1B). Além disso, apresentam diversos compostos bioativos com propriedades medicinais.

Figura 1 – Gnetum, um dos três gêneros pertencentes ao Filo Gnetophyta. (A) Indivíduo adulto. (B) Detalhe das suas sementes carnosas. Fotos: Rattiya Thongdumhyu (A), masuti (B) / Shutterstock.com

A maioria das espécies de Ephedra são encontradas em regiões desérticas e árticas (Figura 2). São formadas por arbustos muito ramificados, com folhas pequenas e escamiformes. Os ramos são articulados, com nós e entrenós bem demarcados. Algumas espécies produzem alcaloides, que são substancias empregadas no tratamento de diversas doenças. Extratos elaborados a partir destas plantas são utilizados a mais de 5.000 anos na medicina oriental para tratar gripes, resfriados, tosse, febre, entre outros.

Figura 2 – Ephedra, um dos três gêneros pertencentes ao Filo Gnetophyta. (A) Indivíduo adulto. Observar no caule os ramos articulados, com nós e entrenós delimitados. (B) Detalhe do estróbilo. Fotos: Kathryn Roach (A), Martin Fowler (B) / Shutterstock.com

Welwitschia é uma das plantas mais excêntricas conhecidas (Figura 3). Ela ocorre na costa desértica do sudoeste da África, em Angola, Namíbia e África do Sul. Uma grande parte de seu tronco fica enterrado no solo, deixando exposta apenas uma parte circular, a qual é responsável pela produção das duas únicas folhas desta espécie. Eventualmente podem surgir uma ou duas folhas adicionais. Essas folhas possuem formato de fita e crescem por toda a vida da planta. Com o passar do tempo, elas se partem longitudinalmente, portanto, plantas mais velhas parecem ter um grande número de folhas. Welwitschia é dioica e é polinizada por insetos.

Figura 3A – Welwitschia mirabilis. Foto: evenfh / Shutterstock.com

Figura 3B. Indivíduo adulto. Foto: D. Kucharski K. Kucharska / Shutterstock.com

Figura 3C. Estróbilos masculinos. Foto: D. Kucharski K. Kucharska / Shutterstock.com

Esses três gêneros de Gnetophyta apresentam características em comum com as angiospermas, como a semelhança dos estróbilos com inflorescências (agrupamento de flores), a presença de elementos de vaso (célula característica do xilema de angiospermas) e a ausência de arquegônios (local de produção do gameta feminino) em Gnetum e Welwitschia. Devido a essas semelhanças morfológicas, acredita-se que as gnetófitas sejam o grupo de gimnospermas mas próximos das angiospermas.

Referências bibliográficas:

Barua, C.C.; Haloi, P. & Barua I.C. 2015. Gnetum gnemon Linn.: a comprehensive review on its biological, pharmacological and pharmacognostical potentials. International Journal of Pharmacognosy and Phytochemical Research 7 (3): 531-539.

Boof, B.S.; Sebben, V.C.; Paliosa, P.K.; Azambuja, I.; Singer, R.B. & Limberger, R.P. 2008. Investigação da presença de efedrinas em Ephedra tweediana Fisch & C.A. Meyer e em E. triandra Tul. (Ephedraceae) coletadas em Porto Alegre/RS. Revista Brasileira de Farmacognosia 18(3): 394-401.

Raven, P.; Evert, R.F. & Eichhorn, S.E. 2007. Biologia Vegetal. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 830 p.