Mastozoologia

Mestre em Zoologia (UESC, 2013)
Graduado em Ciências Biológicas (UEG, 2010)

A mastozoologia é o ramo da biologia responsável por estudar os mamíferos, e o biólogo que estuda esse ramo é chamado de mastozoólogo. O termo relaciona à principal característica que distingue os mamíferos dos outros animais, as glândulas mamárias. Mastozoologia vem da junção de três radicais: masto = presença de glândulas mamárias, zoo = animais e logus = estudo, sendo assim “o estudo dos animais que possuem glândulas mamárias.

No Brasil, nós temos mais de 700 espécies de mamíferos, colocando-o como um dos países com a maio diversidade desse grupo no planeta. E como a biodiversidade é grande, os métodos para estudar esses animais também o são, afinal o mastozoólogo deve se adequar às características de cada grupo se quiser entendê-los melhor.

Os mamíferos são animais bem difíceis de serem estudados, uma vez que ao contrário das aves, que podem ser encontradas pelos cantos, ou até facilmente avistadas pousadas em cima de galhos ou voando, os mamíferos são mais discretos e geralmente não emitem sons com certa frequência (a não ser pelos primatas), tornando a sua localização um pouco mais trabalhosa.

Métodos de estudo

Existem várias formas de se estudar os mamíferos, sendo os cinco mais relevantes descritos abaixo.

Armadilhas fotográficas

Um dos métodos mais utilizados, as armadilhas fotográficas, são câmeras sensíveis à calor e à movimentação. Mamíferos são endotérmicos, ou seja, a temperatura corporal é regulada pelo próprio metabolismo, fazendo com que sejam animais de “corpo quente”. Isso associado ao sensor de movimentação faz com que essas câmeras fotografem tudo que tenha temperatura alta ou se movimente na frente delas. Sendo assim, os mastozoólogos instalam essas câmeras em estacas ou mesmo em árvores no meio das matas e deixam elas ligadas durante o tempo que quiserem, assim conseguem fotos de vários animais que ali habitam e que seriam difíceis de serem avistados.

Biólogo instalando armadilha fotográfica em uma árvore. Foto: SERGEI PRIMAKOV / Shutterstock.com

Avistamento

Apesar de as armadilhas fotográficas fornecerem uma boa base de dados, elas estão limitadas aos animais terrestres e que passem em sua frente. Um outro método utilizado é o do avistamento, que consiste em andar por trilhas dentro das matas procurando os mamíferos. Esse método é muito utilizado para animais arborícolas, especialmente primatas e bichos-preguiça, uma vez que esses animais não costumam descer muito ao solo tornando-os muito difíceis de serem registrados pelas armadilhas fotográficas ou outros métodos que falaremos mais adiante.

Onça pintada sendo avistada por biólogos no pantanal brasileiro. Foto: reisegraf.ch / Shutterstock.com

Procura por vestígios

Esse método é uma verdadeira “brincadeira de detetive”. Você já deve ter ouvido falar que por onde você anda deixa um rastro, correto? E com os outros mamíferos é a mesma coisa, por onde eles andam deixam rastros, pegadas, fezes, pelos e até marcas de unha. O mastozoólogo procura esses vestígios para descobrir, através deles, quais mamíferos os deixaram, Através das pegadas, é fácil identificar várias espécies apenas as olhando. Fezes e pelos, muitas vezes podem precisar de uma posterior análise laboratorial e as marcas de unha (alguns animais arranham árvores e troncos para marcar seus territórios, especialmente os grandes gatos), são evidências fortes de que ali vive uma onça-pintada ou uma onça-parda. Alguns pesquisadores utilizam cães treinados para farejar e encontrar esses vestígios ou mesmo os animais.

Rádios-colares

Esses equipamentos são pequenos transmissores de sinais via rádio e/ou satélite acoplados em colares que os pesquisadores colocam nos mamíferos. Sendo assim, é possível monitorar os passos desse animal à qualquer distância, uma vez que, no caso dos rádios via satélite, o sinal será emitido direto para o computador do pesquisador.

Captura com armadilhas

Utilizada principalmente para pequenos mamíferos, as armadilhas são instaladas em locais de passagem de fauna, como trilhas, galhos de árvores. São colocadas iscas nessas armadilhas para atrair os animais, geralmente uma pasta feita com bananas e amendoim. Essas armadilhas tem que ser revisadas constantemente para evitar que os animais se machuquem. Em casos de morcegos, podem ser usadas as “redes de neblina”, que são redes bem finas, onde os morcegos são capturados e o pesquisador pode estudá-lo melhor.

Esses estudos podem nos ajudar a entender como os mamíferos se distribuem, quais as principais ameaças e qual seu papel na natureza. Ultimamente, já sabemos que os mamíferos são fundamentais para o reflorestamento e manutenção das matas, trocas gasosas no ciclo de carbono, enfim, processos ambientais importantíssimos para a manutenção da vida terrestre.

Para aprofundar

Se você tiver interesse em saber como é a vida de um mastozoólogo sugerimos o livro “Um naturalista e outros animais: Histórias de uma vida em campo” de George Schaller, o programa “A vida dos mamíferos” da BBC, apresentado por David Attenborough e a série documental “The Hunt”, disponível na Netflix.

Referências:

Cullen, L., Rudran, R., & Valladares-Padua, C. (2004). Métodos de estudos em biologia da conservação e manejo da vida silvestre (Vol. 88). Editora UFPR.

Paglia, A.P.; Fonseca, G.A.B.d.; Rylands, A.B.; Herrmann, G.; Aguiar, L.M.S.; Chiarello, A.G.; Leite, Y.L.R.; Costa, L.P.; Siciliano, S.; Kierulff, M.C.M.; Mendes, S.L.; Tavares, V.C.; Mittermeier, R.A. & Patton, J.L. 2012. Lista anotada dos mamíferos do Brasil/Annotated checklist of Brazilian mammals. 2. ed. Arlington, Conservation International

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