Tumor ósseo

Graduação em Fisioterapia (Faculdade da Serra Gaúcha, FSG, 2014)

Os tumores ósseos representam o sexto maior grupo de incidência de câncer no mundo. Dentre os principais tipos de tumores tratados na oncologia, o câncer ósseo é o responsável por aproximadamente 6% de todos os casos de câncer entre crianças e jovens.

Os tumores ósseos podem ser divididos em dois grupos principais: câncer ósseo primário e câncer ósseo secundário. Essa classificação depende da área óssea e/ou tipo de tecido circundante afetado, bem como o tipo de célula que compõe a formação tumoral.

Radiografia da perna de um paciente acometido por tumor ósseo. Foto: wonderisland / Shutterstock.com

Nos casos de carcinomas ósseos, entende-se que o processo de desenvolvimento da carcinogênese ocorra decorrente de uma reação do tecido ósseo normal em resposta à uma célula que sofreu mutação genética, decorrente de ação osteolítica (destruição óssea) ou osteoblástica (formação óssea). De forma ampla, sabe-se que o câncer ósseo ocorre devido à uma série de mutações que conferem às células características especiais, tais como: capacidade ilimitada de proliferação, perda de resposta à fatores de inibição de crescimento, evasão de apoptose, capacidade de invadir demais tecidos (caracterizando a metástase), produção de nova rede vascular (angiogênese).

Os tumores ósseos ainda são uma incógnita no que tange à fisiopatologia. As pesquisas indicam algumas características específicas sobre o perfil de pacientes que podem apresentar a patologia, independente de este se apresenta de forma primária ou secundária, tais como: idade entre 15 e 19 anos ou após 65 anos, fatores envolvendo a gênese como traumas físicos, hereditariedade exposição à agentes químicos como derivados do alcatrão, poluição atmosférica, hormônios, medicamentos, dentre outros. A maioria dos pacientes que apresentam tumor ósseo apresentam uma translocação cromossômica envolvendo o gene EWS no cromossomo 22 e um gene da família ETS de fatores de transcrição com altos níveis de expressão do C-myc. Com tais fatores, o paciente que desenvolve essa forma de carcinoma pode apresentar sintomas álgicos intensos, bem como febre alta (acima de 39º) e perda de peso progressiva de origem desconhecida, edema, enfraquecimento ósseo, limitação de movimentos, anemia. Porém, vale ressaltar que nenhum desses sintomas são características determinantes para o diagnóstico afirmativo para câncer ósseo. Para que seja corretamente diagnosticado, são necessários diversos exames complementares além dos sintomas e história pregressa.

Dentre os graus de evolução histológica, observam-se as seguintes características:

  • Grau I: caracteriza-se por não haver atipia celular, apresentando um tumor com bordas delimitadas e corticais integras;
  • Grau II: caracteriza-se por apresentar alguma atipia celular, cortical óssea expandida com bordas bem delimitadas;
  • Grau III: caracteriza-se por apresentar grande atipia celular, com bordas tumorais não delimitadas, apresentando invasão de tecido mole adjacente, sendo este considerado grau maligno;

Os tratamentos atuais envolvem basicamente técnicas para ressecção tumoral, podendo ou não realizar a artrodese. Nos casos de grau I e II, geralmente utiliza-se o procedimento cirúrgico de curetagem com utilização de ácido carbólico, enxertia óssea, associada ou não à cauterização química para conter a progressão tumoral, evitando assim a necessidade de amputação do segmento. Porém, os procedimentos cirúrgicos dependem muito da localização anatômica do tumor, uma vez que o tumor pode se desenvolver em estruturas inoperáveis.

Para que o exame físico indique a possibilidade de câncer ósseo, algumas observações são realizadas para que inicie-se o processo investigativo, tais como: alterações no contorno ósseo e dor à palpação da estrutura. Nos exames de imagem, observar-se-ão alterações no contorno e densidade, bem como alterações nos exames laboratoriais e histológicos demonstrando altas taxas de desidrogenase lática sérica e positividade imuno-histoquímica para CD99/Mic-2, sendo estes marcadores de diferenciação neural.

Apesar de tantos progressos realizados até então para o diagnóstico do câncer ósseo, enfatiza-se cada vez mais a necessidade de prevenção e acompanhamento continuado e precoce para que as chances de cura sejam cada vez maiores, para que o paciente não sofra grandes intercorrências decorrentes dos tratamentos escolhidos pelo profissional que acompanha a progressão do tratamento. A informação e atenção à saúde fazem toda a diferença quando se busca pelo diagnóstico e tratamento precoces.

Bibliografia:

http://periodicos.unicesumar.edu.br/index.php/saudpesq/article/view/1234/1156

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