Catárticos

Graduação em Farmácia e Bioquímica (Uninove, 2010)

Os fármacos catárticos auxiliam o trânsito intestinal, de modo a facilitar o processo da evacuação. Podem provocar a eliminação de fezes normais ou diarreicas, sendo classificados como laxativos ou purgantes.

O uso desses medicamentos deve ser associado a medidas que visam a correção da constipação intestinal, tais como o consumo de alimentos ricos em fibras e ingestão de muito líquido, para que se possa verificar o aumento dos peristaltismos. Fatores emocionais também podem gerar a constipação, onde sempre deve-se avaliar os motivos do distúrbio, antes de fazer uso de medicamentos destinados a quadros complicados.

Classificação

Quanto ao mecanismo de ação, esses fármacos podem ser classificados em: formadores de massa, emolientes, osmóticos e estimulantes.

Catárticos formadores de massa

Exemplos são o Ágar-Ágar, Goma de caraia, Metilcelulose e Semente de psyllium.

Promovem o aumento do bolo fecal, estimulando a motilidade intestinal. Este grupo de medicamentos é representado principalmente por plantas, extratos de plantas ou por gomas naturais indigeríveis e que tenham características hidrófilas, ou seja, que possuam afinidade pela água, com ótima molhabilidade. São os catárticos mais indicados, por apresentarem ação semelhante ao sistema fisiológico, sem efeitos adversos sistêmicos, além de não causar danos à mucosa intestinal.

Catárticos emolientes

Exemplos são o Dioctilsulfossuccinato de sódio e a Vanelina líquida.

Facilitam a defecação simplesmente por amolecer as fezes, sem promover o peristaltismo. Atuam lubrificando e amolecendo as fezes, impedindo a perda da umidade excessiva e reduzindo a tensão superficial. Por não induzirem os movimentos peristálticos, não são considerados verdadeiros catárticos.

O dioctilsulfossuccinato de sódio é um detergente aniônico, ou seja, possui um grupo carregado negativamente na extremidade polar, diminuindo a tensão superficial e facilitando a penetração de água e gorduras no bolo fecal.

Os óleos minerais e vegetais também podem ser utilizados como catárticos lubrificantes. Óleos vegetais incluem o óleo de oliva, de semente de algodão e de milho. Assim como a vaselina líquida, o uso prolongado de óleos como laxantes podem interferir na absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), além de certos medicamentos administrados por via oral, como os anticoncepcionais.

Catárticos osmóticos

Exemplos são o Citrato de magnésio, Sulfato de magnésio e Sulfato de sódio.

Atuam retendo a água na luz intestinal, que aumenta o volume do bolo fecal, estimulando o peristaltismo. Pertencem a este grupo os sais de magnésio, além de vários fosfatos, sulfatos e tartaratos.

Entre os sulfatos, o sulfato de magnésio é o mais utilizado como catártico, que assim como o sulfato de sódio e citrato de magnésio servem de base para limonada purgativa, com rápida ação após a ingestão.

Também pertencem a este grupo os sacarídeos não absorvíveis (manitol e sorbitol), os álcoois (glicerina) e o polietilenoglicol. A glicerina apresenta formas farmacêuticas de supositório ou para ingestão por via oral. Os sacarídeos e o polietilenoglicol se apresentam como soluções orais.

Catárticos estimulantes

Exemplos são o extrato da Cáscara sagrada, Sene, Bisacodil, Fenolftaleína, Óleo de rícino.

Essas substâncias atuam estimulando de forma direta a motilidade do intestino. Pertencem a este grupo os derivados antraquinônicos, na forma de glicosídeos ou livres, extraídos de diversos vegetais. Na luz intestinal existem enzimas bacterianas, que promovem a hidrólise de glicosídeos precursores inativos, liberando os compostos antraquinônicos ativos, que terão efeito catártico.

Atuam de modo a irritar o intestino grosso, aumentando a motilidade intestinal, com a consequente diminuição da reabsorção de água. Como atuam no intestino grosso, o início de ação pode levar algum tempo, em torno de seis horas para o sene, por exemplo.

O uso do sene pode provocar cólicas, enquanto a cáscara sagrada não está associada a este efeito. Isto se deve a maior atividade catártica que o sene apresenta.

Como derivados do defenilmetano, estão a fenolftaleína e o bisacodil. A fenolftaleína atua como irritante do intestino grosso.

Após sofrer hidrólise na mucosa do intestino grosso, o bisacodil estimula o peristaltismo intestinal e promove o acúmulo de água e de eletrólitos no lúmen do cólon. Em consequência, há o estímulo para a defecação, amolecimento das fezes e a redução do tempo de trânsito intestinal.

O óleo de rícino ou óleo de mamona é obtido a partir das sementes da planta Ricinus communis e produz efeito laxante por ação do ácido ricinoléico, no intestino.

Bibliografia:

De Lucia, R. et al. Farmacologia integrada. Editora Revinter, 3ª ed. 2007.

AVISO LEGAL: As informações disponibilizadas nesta página devem apenas ser utilizadas para fins informacionais, não podendo, jamais, serem utilizadas em substituição a um diagnóstico médico por um profissional habilitado. Os autores deste site se eximem de qualquer responsabilidade legal advinda da má utilização das informações aqui publicadas.

Arquivado em: Farmacologia