População do Nordeste

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De acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2018, o Nordeste concentra 30% da população do Brasil. Ocupando 20% do total de território do país, a região possui 56,7 milhões de habitantes em uma área de 1,6 milhão de km². Desta forma, a região Nordeste do Brasil é considerada a segunda mais populosa do país, ficando atrás apenas do Sudeste. Em relação à densidade demográfica, apresenta índice de 32 habitantes por km². As seis cidades mais populosas do Nordeste são: Salvador (Bahia), Fortaleza (Ceará), Recife (Pernambuco), São Luís (Maranhão), Natal (Rio Grande do Norte) e Teresina (Piauí).

Quadro étnico

Em pesquisa realizada por meio do IBGE, em 2018, a população presente no Nordeste do Brasil se autodeclarou da seguinte forma: pretos (11%), pardos (63%), brancos (24%) e outras etnias com índice em menos de 1%. Ainda de acordo com o levantamento, as localidades do Nordeste que concentram a maior quantidade de pessoas autodeclaradas pretas em relação à totalidade do território de seu estado são: Bahia (16%), Maranhão (6%) e Piauí (6%). No que se refere à população indígena, percebe-se que a maior parte está localizada no Maranhão (1%), na Bahia (0,3%) e também na Paraíba (0,3%).

Os brancos concentram-se mais em Pernambuco (36%), Paraíba (36%) e no Rio Grande do Norte (36%). Finalizando, a população que se declara como parda tem a maior presença no Piauí (70%), no Maranhão (68%) e em Alagoas (67%). É importante frisar que o processo de formação étnico da região Nordeste deu-se conforme todas as outras áreas do Brasil: a partir do processo de miscigenação entre os povos originários, os negros trazidos forçadamente da África para o trabalho escravo e os colonizadores portugueses.

Habitação

Mais de 60% da população do Nordeste situa-se nas capitais e na faixa litorânea. Por outro lado, as áreas do interior nordestino e do Sertão apresentam os menores níveis populacionais da região. Isso ocorre devido ao clima e à falta de políticas públicas no sentido de prover uma melhora material de condições de vida à população. Mesmo assim, a densidade demográfica nestas áreas do Nordeste ainda apresenta-se mais densa quando relacionada a outras regiões com este clima em lugares diversos do mundo. Desta forma, percebe-se que os habitantes destes locais enfrentam muitas dificuldades para sobreviverem e muitos não dispõe de recursos mínimos para deixar esta situação.

Segundo pesquisa do IBGE realizada em 2004, mais de 70% do povo do Nordeste está localizado em área urbana. Por ter sido uma região com um processo de urbanização mais demorado em relação a outras áreas do país, a população nordestina passou pelo fenômeno do Êxodo Rural, no qual ocorre a evasão de muitos habitantes do campo na direção dos grandes centros urbanos.

Êxodo Nordestino

Devido a fatores como desemprego, incapacidade de absorção da mão-de-obra, secas constantes e falta de planejamento de infraestrutura para a região, o fluxo de migrantes nordestinos para outras regiões do Brasil teve início a partir do Primeiro Ciclo da Borracha, ao final do século XIX. Assim, grande parte da população do Nordeste deslocou-se para a região da Amazônia, que dispunha de vasta vegetação de seringueiras, de onde é retirado o látex.

A segunda fase deste processo ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, também na direção do território amazônico, quando ocorreu o Segundo Ciclo da Borracha. As condições de trabalho destes migrantes eram precárias, sendo que muitos chegaram a morrer e outros trabalhavam simplesmente em troca e moradia e alimento. Aproximadamente 60.000 trabalhadores migraram para a Amazônia no período destacado e ficaram conhecidos como “soldados da borracha”.

Em um segundo período de migração nordestina, uma parcela da população foi em direção à região Sudeste, a qual passava pelo auge do processo de industrialização entre as décadas de 1950 e 1970. Os estados que mais receberam pessoas foram: São Paulo e Rio de Janeiro. Isso ocorreu devido à demanda de vagas na indústria e à política de leis trabalhistas promulgada na Era Vargas, que davam mais segurança e garantias aos trabalhadores.

Povoamento inicial

O início do povoamento do Nordeste se deu a partir dos povos originários que habitavam a região. No período colonial, a área foi habitada pelos colonizadores portugueses e também pelos negros escravizados. De acordo com o antropólogo Darcy Ribeiro, autor do livro O Povo Brasileiro, o Nordeste foi povoado a partir de dois processos étnicos que se espraiaram por duas áreas com características específicas, denominadas por ele como sertaneja e crioula.

Sertaneja

Contempla as localidades que tem início na orla do Agreste (transição da Zona da Mata para o Sertão) na divisão com a caatinga. A economia desta localidade deu-se com base na criação de gado e o seu povoamento ocorreu a partir de brancos pobres e mestiços provenientes das regiões do litoral, além da contribuição também dos índios.

Crioula

Originada por meio da cultura da cana-de-açúcar em áreas do litoral do Nordeste, abrangendo a localidade do Rio Grande do Norte até a Bahia. Sua população se deu por meio da miscigenação de negros, índios e brancos.

Fontes:

RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 2a. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

BAER, Werner. A Economia Brasileira. São Paulo: Nobel, 1996, 416p.

Carvalho, M. R. de, & Reesink, E. B. . (2018). Uma etnologia no Nordeste brasileiro: balanço parcial sobre territorialidades e identificações. BIB - Revista Brasileira De Informação Bibliográfica Em Ciências Sociais, (87), 71–104. Recuperado de https://bibanpocs.emnuvens.com.br/revista/article/view/459

https://www.agenciaprodetec.com.br/component/content/article/229-populacao-do-nordestealcanca-54-milhoes-de-habitantes-em

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