Vegetação do Acre

Mestrado em Geografia (UFSC, 2015)
Graduação em Geografia (UFSC, 2012)

O Acre abriga em seu território porção considerável da mais extensa floresta tropical contínua do mundo ainda preservada, a Amazônia. Apesar de não ser o “Pulmão do Mundo”, a quantidade de carbono fixado pela floresta amazônica é muito significativa, sendo ela uma espécie de imenso filtro ecológico, responsável por reduzir a quantidade de gás carbônico (CO2) na atmosfera.

A floresta amazônica encontra-se sobre solos de pouca fertilidade que, pela temperatura e umidade elevadas, são bastante ácidos. Uma das características mais incríveis dessa floresta é que ela não vive em função do solo, mas em função de si mesma, graças ao rápido processo de reciclagem das folhas, galhos, troncos e restos de animais realizados pelos fungos, bactérias e artrópodes. Após a decomposição, forma-se uma fina camada superficial rica em nutrientes (húmus) que são rapidamente absorvidos pelas plantas. Isso é o que leva as raízes a se desenvolverem no sentido horizontal ou, às vezes, crescerem no sentido vertical com raízes chatas, triangulares e tabulares.

A vegetação amazônica é majoritariamente latifólia, higrófila, heterogênea, perenefólia e dispersa. No estado do Acre, os tipos de vegetação presentes estão diretamente relacionados ao clima da região, que é quente e úmido, apresentando duas estações: a seca, que se estende de maio a outubro – quando são comuns as “friagens” –, e a chuvosa, que se prolonga de novembro a abril.

De acordo com dados publicados pelo IBGE em 2005, os tipos de vegetação do estado do Acre podem ser divididos da seguinte maneira:

Região da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Pluvial Tropical)

Tipo de vegetação constituída basicamente de árvores de porte entre 20 e 50 metros (meso e macrofanerófitos), além de lianas e epífitos. Distribui-se em áreas de clima ombrotérmico, ou seja, praticamente sem período seco, com precipitações acima de 2.300 mm e temperaturas médias anuais, geralmente, entre 22°C e 23°C. No Estado do Acre, as variações altimétricas possibilitaram separar em três formações:

  • Floresta Ombrófila Densa Aluvial;
  • Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas;
  • Floresta Ombrófila Densa Submontana.

Região da Floresta Ombrófila Aberta (Faciações da Floresta Densa)

Ainda situado na faixa de clima ombrotérmico, esse tipo de vegetação diferencia-se por adaptar-se a um curto período seco (dois a três meses). Apesar de constituída por meso e macrofanerófitos, como na Floresta Densa, tem uma dominância de formas biológicas de fanerófitas rosuladas e lianas lenhosas. Já foi considerado uma tipologia vegetal de transição entre floresta amazônica e florestas das áreas extra-amazônicas. No Brasil, costuma aparecer nos espaços intermediários ao sul do Vale do Amazonas, entre o domínio da Floresta Ombrófila Densa e a Floresta Estacional Semidecidual e o Cerrado. No Acre, por conta dos mesmos critérios altimétricos da região anterior, identificou-se duas formações (configurando distintas faciações com bambus, com palmeiras e com cipós):

  • Floresta Ombrófila Aberta Aluvial;
  • Floresta Ombrófila Aberta das Terras Baixas.

Região da Campinarana

Esse tipo de vegetação, no Brasil, é encontrado apenas na Amazônia, expandindo-se a partir da sua porção ocidental norte, onde foi mencionada inicialmente nas bacias do alto rio Negro e médio rio Branco, mas que ocorre também como disjunções ecológicas, dispersas por toda a Hileia, do Acre ao Pará, interiorizando-se ainda pela Colômbia e Venezuela. Seu nome, significa “falso campo”, e possui vegetação quase sempre adaptada a solos encharcados.

Áreas de Tensão Ecológica ou Contatos Florísticos

São locais onde há uma transição florística, pontos de encontro entre duas ou mais regiões ecológicas (tipos principais de vegetação).

No ano de 2019, dados de satélite do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) demonstraram que o desmatamento na Amazônia brasileira na primeira quinzena de julho daquele ano superou a taxa do mês inteiro no ano anterior. Mais de 1.000km² de floresta foram derrubados no período, isto é, 68% a mais em relação a todo o mês de julho de 2018. No Acre, o desmatamento aumentou mais de 400% entre julho de 2018 e julho de 2019 (dados do Imazon). A área desmatada no Acre aumentou de 35km², em 2018, para 187km², em 2019.

Leia também:

Bibliografia:

G1. Área desmatada no Acre cresce mais de 400% em um ano, aponta estudo. Disponível em: <https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2019/08/18/area-desmatada-no-acre-cresce-mais-de-400percent-em-um-ano-aponta-estudo.ghtml>. Acesso em: 18/11/2019.

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Potencial Florestal do Estado do Acre. Rio de Janeiro, 2005, 42p.

MIGUEIS, Roberto. Geografia do Amazonas. Manaus: Editora Valer, 2011, 144p.

Notícias UOL. Desmatamento no Brasil dispara em julho e ameaça acordo comercial com UE. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2019/07/18/desmatamento-no-brasil-dispara-em-julho-e-ameaca-acordo-comercial-com-ue.htm>. Acesso em: 12/11/2019.

Redação Hypeness. Incêndios na Amazônia têm ‘assinatura do desmatamento’, aponta NASA. Disponível em: <https://www.hypeness.com.br/2019/08/incendios-na-amazonia-tem-assinatura-do-desmatamento-aponta-nasa/ >. Acesso em: 12/11/2019.

SILVA, Silvio Simione da (coord.). Acre: Uma visão temática de sua Geografia. Rio Branco: EDUFAC, 2008.

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