Ventos alísios

Mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia (UDESC, 2016)
Graduada em Geografia (UDESC, 2014)

De forma simples, podemos dizer que os ventos alísios são deslocamentos de massas de ar quente e úmido que se realizam de forma concêntrica em direção às áreas de menor pressão atmosférica das zonas equatoriais do globo terrestre, a Zona de Convergência Intertropical. Mas o que explica esse fenômeno, e qual influência ele exerce sobre a superfície da Terra?

O aquecimento solar distribuído de forma distinta sobre a superfície terrestre gera uma diferença de pressão atmosférica entre o equador (zona de baixa pressão) e os polos (zona de alta pressão). Ao passo que o ar quente e de leve densidade proveniente do equador sobe e segue rumo aos polos onde sofre esfriamento e desce, a camada de ar fria e de alta densidade sai dos polos em direção ao equador, lá sofre aquecimento e sobe, recomeçando o ciclo. Essa diferença térmica ocasiona a movimentação das massas de ar atmosféricas caracterizando o chamado efeito de “circulação geral da atmosfera”.

Esse movimento descrito anteriormente não ocorre em linha reta, no sentido norte e sul ou vice-versa ao longo de um gradiente de pressão, mas derivam do fenômeno que surge com o movimento de rotação da Terra (força de Coriolis) que formam células de circulação atmosférica. Esse movimento acarreta os principais processos que atuam sobre a superfície d’ água (ondas, evaporação, precipitação, correntes marítimas, etc.) e na atmosfera (ventos, correntes de ar, etc.), assim, o ar é forçado a se desviar para a esquerda no hemisfério sul e para a direita no hemisfério norte.

Ventos alísios. Ilustração: Kaidor / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0 [adaptado]

Deste modo, estabelecem uma configuração relativamente permanente na atmosfera: os centros de alta pressão sobre os polos e latitudes tropicais e os centros de baixa pressão em regiões equatoriais e subpolares.

A partir desta característica expostas, são gerados três sistemas gerais de ventos na atmosfera: ventos alísios, que ocorrem entre 0º e 30º de latitude, soprando do leste para o oeste; ventos do oeste, entre 30º e 60º de latitude e que sopram do oeste para o leste; e, por último, vento do leste nas regiões polares, do leste para o oeste. Esses ventos são os principais responsáveis pelo equilíbrio de calor no planeta.

Nas regiões de encontro dessas células de convergência de pressão atmosférica, geralmente não há ventos ou, se ocorrem, são muito fracos e irregulares. Soma-se a isso, é comum a ocorrência de chuvas causadas pela grande evaporação (cinturão de nuvens e formação de cumulonimbustipo de nuvem caracterizada por um grande desenvolvimento vertical). A região equatorial é uma zona de convergência em baixos níveis (divergência em altos níveis), chamada de a Zona de Convergência Intertropical (ITCZ/ ZCIT), área onde os ventos alísios provenientes dos hemisférios norte e sul convergem. ZCIT está inserida numa região onde ocorre a interação de características marcantes atmosféricas e oceânicas, tais como: Zona de confluência dos Alísios (ZCA); Zona de Máxima Temperatura da Superfície do Mar (TSM); Zona de Máxima Convergência de Massa; Zona da banda de Máxima Cobertura de Nuvens Convectivas.

Referencial Bibliográfico:

MENDES, Carla Lima Torres; SOARES-GOMES, Abílio. Circulação nos oceanos correntes oceânicas e massas d’água. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Fluminense, 2007. Disponível em: http://www.uff.br/ecosed/Correntes.pdf. Acesso: dezembro de 2017.

SENE, Eustáquio de; MOREIRA, João Carlos. Geografia Geral do Brasil: espaço geográfico e globalização. Vol. 1. São Paulo: Scipione, 2013.