Colonização portuguesa na África

Graduada em História (Udesc, 2010)
Mestre em História (Udesc, 2013)

A colonização portuguesa na África está relacionada às suas primeiras incursões no século XV durante as grandes navegações, conhecido como o antigo sistema colonial e depois com o imperialismo do século XIX até a metade do século XX.

Cabo Verde, Canárias, Madeira e São Tomé e Príncipe

O primeiro lugar que os portugueses chegam no continente africano foi em Ceuta, no Norte, em 1415. Em princípio estabeleceram comércio com os povos da região. Os interesses portugueses nesse momento eram principalmente encontrar uma nova rota para as Índias e produtos rentáveis para o mercado europeu. Em 1460 os portugueses ocuparam as ilhas de Cabo Verde, que posteriormente foi dividida em duas capitanias entre portugueses, genoveses e castelhanos e até meados do século XVII foi um entreposto comercial com o intuito de comercializar escravos. Os portugueses chegam na ilha de São Tomé em 1470, que logo tornou-se um entreposto comercial para estabelecer relações com o Reino do Congo. Somente o terceiro donatário fundou uma colônia, que contava com degradados, voluntários e crianças judias que foram deportadas da Espanha e separadas de suas famílias, após 1492 com a expulsão dos mouros da Espanha. Em 1502 chegaram a ilha de Príncipe tendo como donatário Antonio Carneiro. Para as ilhas de São Tomé e Príncipe foram levadas técnicas agrícolas, gados e plantas que já haviam dado certo nas ilhas Canárias, ilha da Madeira e no Arquipélago de Cabo Verde, também levaram a cana-de-açúcar e o sistema de capitanias hereditárias. Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, tornam-se territórios portugueses até a sua independência no século XX.

Angola

Em 1482, os portugueses capitaneados por Diogo Cão, aportaram em Angola com a intenção de buscar metais preciosos e escravos, também buscavam um caminho para as Índias. Em 1492 os portugueses - a partir de Angola - fizeram contratos com o Rei do Congo, Nzinga a Nkuvu, que viu nos portugueses uma grande chance de estabelecer novos comércios, e tratou logo de se converter ao catolicismo, pensando politicamente, para agradar aqueles que chegavam, tornando-se João I do Congo.

Moçambique

Os portugueses chegaram a Moçambique durante a primeira viagem de Vasco da Gama para a Índia, entre 1497 e 1499, as várias cidades daquela região eram dominadas por mercadores árabes de Omã, que trocavam ouro e ferro por algodão. Somente em 1505 os portugueses fundaram uma feitoria em Sofala, para extrair o ouro da região.

Durante o século XIX, Portugal passa por algumas crises e decide voltar-se ao continente africano. Algumas conjunturas foram necessárias para esse interesse. Dois eventos dão início a uma contração comercial em Portugal: em 1825 com o reconhecimento da independência do Brasil e 1850 com o tráfico de escravos tornando-se ilegal. Esses eventos fizeram o Estado português perder muitas relações mercantis com o oriente. Ao longo do século XX, os portugueses vão perdendo cada vez mais espaços para os outros países europeus. Em 1890 a Inglaterra retira o projeto do “mapa cor-de-rosa” que daria a Portugal uma extensão, quase do tamanho do Brasil, no continente Africano, juntando os dois oceanos.

A Conferência de Berlim “formalizou” a conquista de Portugal em várias regiões africanas: Angola, Moçambique e Guiné Bissau. Entre 1891 e 1914 os portugueses fizeram várias campanhas a fim de “domesticar” e “pacificar” os territórios ocupados. Em 1911 Portugal cria o Ministério das Colônias, dando aos territórios uma instituição responsável pela sua administração.

Ao longo do século XX os portugueses exploraram esses territórios com violência e etnocentrismo, em contrapartida, vários grupos desses países se organizaram em movimentos pró direitos civis dos grupos africanos e pela independência. Após pressões internas (dentro dos países africanos e em Portugal) e externas (outras nações), Portugal reconhece a independência das ex-colônias entre 1974-1975.

Referência:

HERNANDEZ, Leila M. G. A África na sala de aula: visita à história contemporânea. São Paulo: Selo Negro, 2005.

Arquivado em: História da África