Comando de Libertação Nacional

Mestre em Educação (UFMG, 2012)
Especialista em História e Culturas Políticas (UFMG, 2008)
Graduada em História (PUC-MG, 2007)

O Comando de Libertação Nacional (COLINA) foi um movimento de luta armada no contexto do regime militar no Brasil. Acreditava na articulação urbana a partir do operariado e da classe estudantil e, no campo, a partir da tática de guerrilha. Essa forma de operar justificava-se pela necessidade de organização e educação das massas urbanas em torno de sua própria luta contra a exploração capitalista sem, contudo, desamparar a guerrilha rural que levaria a concretização da revolução.

Seus integrantes

O Colina nasceu em Minas Gerais em fins de 1967 a partir de dissidentes do POLOP e ex-militares do MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário), de onde veio um de seus fundadores, João Lucas Alves, torturado e morto em março de 1969.

Outros nomes de destaque do COLINA foram o sociólogo mineiro Juarez Guimarães de Brito e Dilma Rousseff, ex-presidente da República que participou da Colina em sua juventude com o nome de Wanda. Aos 22 anos foi presa no DOI, depois transferida para o DOPS e, finalmente, para o presídio Tiradentes, tendo sofrido diferentes tipos de tortura durante seu tempo de encarceramento.

Ideias e objetivo

O Colina procurava formar um exército popular, atuando junto aos movimentos estudantis e de trabalhadores. Para o grupo a luta armada não poderia ser bem-sucedida sem a luta política, que abriria caminhos para o avanço da guerrilha e obteria o apoio da população, fator indispensável ao sucesso da estratégia guerrilheira. Além disso, a preparação política dos guerrilheiros seria fundamental para que suportassem a dura realidade na qual se inseriam sem desistir precocemente. A luta armada sozinha não era suficiente, era preciso ter envolvimento com o povo e suas demandas.

Dessa forma, o grupo acreditava que a eclosão de diversos focos de guerrilha dificultaria a ação repressora e contribuiriam na luta contra o imperialismo – foquismo inspirado em Che Guevara.

Atos praticados pelo COLINA

A primeira ação do Colina ocorreu em março de 1969, o atentado ao sindicato dos bancários. A instituição encontrava-se sob intervenção devido à greve empreendida pela categoria. O grupo explodiu bombas nas casas do delegado e do interventor envolvidos em apoio aos grevistas que vinham sendo reprimidos.

Antes disso, o grupo havia assaltado a agência Pedro II do Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais e o Banco do Brasil, em Contagem. Os grupos armados entendiam esses assaltos como "expropriações" realizadas em instituições capitalistas acusadas de contribuírem para a perpetuação das mazelas sociais.

Naquele mesmo ano, após uma série de prisões, o Colina uniu-se a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) com o objetivo de fortalecer a esquerda, porém a união durou pouco tempo e, em setembro de 1969, o grupo dividiu-se devido a discordâncias sobre os rumos da luta contra o regime militar.

Outra ação do grupo foi o assassinato do major alemão, Edward Ernest Tito Otto Maximilian von Westernhagen, confundido com o major boliviano Gary Prado, responsável pela morte de Che Guevara. O equívoco ocorreu nas proximidades do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Ambos faziam o Curso da Escola de Comando e Estado Maior do Exército. O crime causou grande repercussão pois, além de envolver a morte de um militar estrangeiro, von Westernhagen havia lutado na Segunda Guerra Mundial. Os dois integrantes da Colina responsáveis pela morte foram capturados, torturados e mortos no DOI.

O movimento foi desarticulado em Belo Horizonte, a partir de ações comandadas pelo coronel Octavio Medeiros. Alguns integrantes que restaram uniram-se a VPR em 1969, formando a VAR-Palmares.

Bibliografia:

DOURADO NEWS. Coisas de Internet: Dilma Rousseff foi terrorista?. Dourados News, Dourados, 6 mai. 2009. Disponível em: <http://www.douradosnews.com.br/noticias/coisas-de-internet-dilma-rousseff-foi-terrorista-ba81602f44b59926a51d0/358583/>. Acesso em: 10 nov. 2017.

GASPARI, Elio. A “tigrada” dá o bote. In: A ditadura escancarada: As ilusões armadas. Rio de Janeiro: Intrínseca: 2014, p. 273-298.

MACIEL, Wilma Antunes. VPR: contra a ditadura, pela revolução. In: SALES, Jean Rodrigues (org.). Guerrilha e revolução: a luta armada contra a ditadura militar no Brasil. Rio de Janeiro: lamparina, FAPERJ, 2015, p. 96-110.

MARTINS, Edgard de Almeida. Clandestino: memórias políticas de Edgard de Almeida Martins. São Paulo: edição do autor, 2012. Disponível em: <https://play.google.com/store/books/details?id=6P5KBQAAQBAJ&rdid=book-6P5KBQAAQBAJ&rdot=1&source=gbs_vpt_read&pcampaignid=books_booksearch_viewport>. Acesso em: 10 nov. 2017.

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