VAR-Palmares

Mestre em Educação (UFMG, 2012)
Especialista em História e Culturas Políticas (UFMG, 2008)
Graduada em História (PUC-MG, 2007)

A Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) foi um grupo formado em 1969 pela união entre a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e o Comando de Libertação Nacional (COLINA) no contexto de grande perseguição policial contra os grupos de oposição ao regime militar iniciado em 1964.

AI-5 versus Luta Armada

Editado no final de 1968, o AI-5 teve ampla aplicação nos governos Costa e Silva e Médici, não por acaso chamados de “anos de chumbo”. Nesse contexto, grupos de guerrilha urbana e rural, além de movimentos de trabalhadores e estudantes, foram duramente perseguidos pelos militares.

Nos primeiros meses de 1969, a VPR e o COLINA tiveram diversos integrantes presos, o que propiciou a união dos dois grupos em julho daquele ano, mesmo mês em que foi criada a Operação Bandeirantes (OBAN). Entretanto, haviam discordâncias internas sobre as estratégias a serem tomadas. Uma parcela acreditava que o trabalho político com os guerrilheiros era mais importante que a formação militar. Esse era o pensamento do COLINA, enquanto a VPR acreditava que a luta armada e sem etapas era o caminho para a concretização da revolução socialista no Brasil.

“Justiçamento” e repressão policial

Apesar de enfrentar dificuldade de organização, devido à forte perseguição policial, o grupo realizou ações armadas. A mais famosa dentre elas foi o roubo ao cofre do ex-governador, Adhemar de Barros, que rendeu ao grupo uma cifra que, segundo diferentes fontes, variou entre dois milhões e meio e dois milhões e oitocentos mil dólares. O dinheiro nunca foi reclamado por Adhemar, chamado por seus oponentes de “rouba, mas faz”. Mesmo assim, o roubo realizado em 18 de julho de 1969 foi ao conhecimento das autoridades e os envolvidos foram perseguidos pelos recém-criados DOI-CODI.

Em dezembro daquele mesmo ano, o então Ministro da Fazenda, Delfim Neto, seria sequestrado pelo grupo. Entretanto, membros do grupo foram presos antes da realização do plano.

O grupo também foi responsável pela morte do marinheiro inglês David Cuthberg, em fevereiro de 1972. O militar estava no país com um grupo da Marinha Britânica em virtude das comemorações dos 150 anos da Independência. Mas, em março, militantes envolvidos no ato foram mortos por agentes do DOI-CODI no Rio de Janeiro em ato que ficou conhecido como Chacina de Quintino (nome do bairro), sendo James Allen da Luz o único a escapar com vida, vindo a desaparecer no ano seguinte em Porto Alegre.

James faz parte dos desaparecidos políticos do regime militar, pois seu corpo nunca foi encontrado. De acordo com os relatórios policiais, o acidente de carro sofrido por James não levou a sua morte, mas médicos afirmaram que James chegou sem vida à Clínica Stefani, versão contrária a de pessoas que estavam com o militante no momento, segundo as quais ele chegou com vida ao hospital e ali permaneceu vigiado por policiais, sendo seu paradeiro posterior desconhecido.

O fim da VAR-Palmares

Perseguida pela polícia, a organização foi desmantelada e teve seus líderes mortos, Carlos Alberto Soares de Freitas, cerca de um ano antes da Chacina de Quintino, e Mariano Joaquim da Silva, que foi preso e torturado em Recife, no dia 2 de maio de 1971. Encaminhado ao CIE de Petrópolis, também conhecido como Casa da Morte, Mariano sofreu uma série de torturas durante quatro dias, foi mantido sem comida, bebida e sem dormir, além de ser submetido a trabalho forçado. Na noite de 31 de maio, seu corpo foi removido do presídio e nunca mais se soube de seu paradeiro, considerando esta a data de sua morte.

Bibliografia:

MACIEL, Wilma Antunes. VPR: contra a ditadura, pela revolução. In: SALES, Jean Rodrigues (org.). Guerrilha e revolução: a luta armada contra a ditadura militar no Brasil. Rio de Janeiro: lamparina, FAPERJ, 2015, p. 96-110.

MEMÓRIAS DA DIDATURA. James Allen da Luz. Instituto Vladimir Herzog, São Paulo, 2017. Disponível em: <http://memoriasdaditadura.org.br/memorial/james-allen-da-luz/index.html>. Acesso em: 09 nov. 2017.

MEMÓRIAS DA DIDATURA. Mariano Joaquim da Silva. Instituto Vladimir Herzog, São Paulo, 2017. Disponível em: < http://memoriasdaditadura.org.br/memorial/mariano-joaquim-da-silva/index.html>. Acesso em: 09 nov. 2017.

GASPARI, Elio. Equipe. In: A ditadura derrotada: O sacerdote e o feiticeiro. Rio de Janeiro: Intrínseca: 2014, p. 273-298.

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