Diretas Já

Mestre em Educação (UFMG, 2012)
Especialista em História e Culturas Políticas (UFMG, 2008)
Graduada em História (PUC-MG, 2007)

Os anos de 1984 e 1985 foram divisores de águas na História do Brasil, pois vivia-se os últimos momentos de uma ditadura militar que havia se iniciado há duas décadas. Diversos fatos simbolizam esse processo de abertura política, mas um dos mais importantes foi o movimento pelas "Diretas Já".

O nome do movimento refere-se às eleições que ocorreriam em 1985 para a Presidência da República, para as quais os movimentos de oposição ao Regime Militar clamavam pelo voto direto.

As ações em busca do voto direto iniciaram-se no ano de 1983, através de um comício em Goiânia que contou com um público de aproximadamente 5 mil pessoas. Naquele momento, o governo de Figueiredo encontrava-se desgastado, sobretudo após as polêmicas envolvidas na apuração do atentado ao Riocentro, em 1981. Além disso, a alta inflacionária, que chegou a 211% naquele ano, e o consequente arrocho salarial contribuíram para a desaprovação popular em relação a seu governo.

Nesse contexto, os movimentos de oposição passaram a lutar por eleições diretas para o cargo de presidente da República. Tal demanda foi formalizada no Congresso através da Emenda Dante de Oliveira e obteve adeptos até mesmo nas bases parlamentares do governo militar. A partir do apoio de diversos partidos políticos – dentre eles o PMDB e o PT – e organizações sociais e sindicais, o movimento obteve força para levar novamente o povo às ruas.

Apesar de seu rápido crescimento, o movimento pelas Diretas Já não havia conseguido a maioria dos votos para a aprovação da emenda e, por isso, buscava viabilizar a eleição mesmo que fosse indireta de um de seus candidatos. Contavam com o apoio de dez governadores que haviam sido eleitos em 1982, na primeira eleição direta para o cargo dede 1965. Dentre elas, estavam o governador de Minas Gerais, Tancredo Neves (PMDB), e o governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, que viriam a ser peças-chave do movimento.

Em fevereiro de 1984, uma caravana sob as lideranças de Doutel de Andrade, Lula e Ulysses Guimarães começaram a percorrer o Brasil, passando por quinze estados (da região Norte, Nordeste e Centro-Oeste) em um total de 22 mil quilômetros. A caravana chegou a mobilizar aproximadamente 1 milhão de pessoas e teve como tema a cor amarela, que passou a ser utilizada nas roupas e nos adereços dos manifestantes. Seguiram-se em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro comícios que somariam um público de cerca de 2,8 milhões de manifestantes. Nesses comícios foram figuras de liderança Ulysses Guimarães – tomado como garoto-propaganda do movimento – Leonel Brizola, Lula, Fernando Henrique Cardoso e o futuro presidente, Tancredo Neves. O movimento ganhou também apoio declarado de intelectuais, atletas e artistas em torno do pedido de retorno à democracia no Brasil. As passeatas pelas Diretas Já foram a maior mobilização cívica já ocorrida até então no Brasil.

Apesar da força do movimento, o Congresso sob o comando dos militares resistiu e em 26 de abril de 1984 a Emenda Dante de Oliveira foi rejeitada, adiando o fim do regime militar.

Bibliografia:

SCHWARCZ, Lilia M.; STARLING, Heloisa M. No caminho da democracia: a transição para o poder civil e as ambiguidades e heranças da ditadura militar. In: Brasil: uma biografia. São Paulo: Cia das Letras, 2015, p. 478-484.

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