Quilombo dos Palmares

Licenciatura Plena em História (Faculdade JK-DF, 2012)
Pós-graduação em História Cultural (Centro Universitário Claretiano, 2014)

Publicado em 20/03/2019

O Quilombo dos Palmares é considerado o maior símbolo de resistência contra a escravidão no Brasil. Os primeiros registros desses agrupamentos foram por volta de 1580 quando os escravos fugiram da capitania de Pernambuco para a região da Serra da Barriga. Eles persistiram por quase um século formando uma comunidade de negros trazidos da África.

As invasões holandesas em 1624-1625 e em 1630-1654 favoreceram a fuga desses escravos dos canaviais nordestinos. Até à presente data, não é possível descrever um número exato dos habitantes dos Palmares, mas estima-se que foi em torno de vinte mil. Os senhores de engenho estavam com as atenções totalmente voltadas às invasões holandesas e não à evasão dos negros.

Os escravos se dividiram em diversos povoamentos entre eles o de Cerca Real do Macaco, considerado o maior centro político do Quilombo com em média 1.500 casas. Subupira tinha em média 800 habitações onde realizavam as atividades militares. Zumbi foi o maior líder do Quilombo e sua esposa Dandara comandava o exército feminino.

O Quilombo era todo cercado de madeira e a segunda fileira de cerca ficava a 300 metros da primeira. Havia uma sentinela reforçada com pedras e a entrada era composta de um portão também de madeira onde todo o acesso da aldeia era controlado. Nos arredores do assentamento eram feitos diversas armadilhas executadas com buracos e lanças profundas cobertas com folhas. Somente os moradores conheciam o caminho seguro para chegar ao Quilombo.

As casas eram construídas de madeiras e folhas de palmeiras. O azeite servia como líquido inflamável para cozinhar e manter as tochas acesas para iluminarem a aldeia durante a noite. Os móveis e utensílios domésticos eram artesanais ou de cerâmica e as cestas eram de tecidos trazidos ou furtados das fazendas vizinhas.

Todo meio de subsistência provinha das lavouras e eles plantavam milho, feijão, mandioca, banana, goiaba, abacate, caju, etc. Caçavam, pescavam e armazenavam água em poços. Os animais de pequeno porte e as galinhas eram criados no agrupamento. Falavam português misturado com os dialetos de origem.

Há poucos registros sobre a organização política e alguns estudiosos afirmam que eles se estabeleciam tal como os estados da África, onde um oligarca governava e ditava ordens. Esse tipo de atitude leva a acreditar que dentro do próprio Quilombo havia escravidão e esta prática acontecia devido à adaptação dos negros recém-chegados, que achavam que não teriam que trabalhar como anteriormente, mas ao chegarem, viam que isso era necessário para manter a subsistência no local. Outra teoria é de que alguns negros eram capturados nas fazendas e levados para o Quilombo para realizarem trabalho forçado na lavoura. No entanto há quem afirme que as atividades eram divididas conforme a habilidade de cada pessoa.

Após a expulsão dos holandeses do país, as atenções dos portugueses se voltaram ao cultivo da cana-de-açúcar e também ao aumento do preço do escravo. Com a mão-de-obra cada vez mais escassa os colonos começaram a se atentarem mais na fuga dos escravos tentando encontrar os que já haviam fugido.

Os quilombos liderados por Zumbi faziam vários ataques no engenho, libertavam escravos, roubavam armas e munições. Após várias tentativas sem sucesso de vencer os quilombos, os portugueses diziam que era mais fácil vencer os holandeses do que os escravos.

Foi então que o governador de Pernambuco Caetano Castro delegou uma função ao bandeirante Domingos Jorge Velho e ao Capitão-Mor Bernardo Melo que consistia em capturar e coagir o quilombola Antônio Soares. Para a sua liberdade este tinha que revelar aonde era o esconderijo do líder do Quilombo dos Palmares, e ele assim o fez.

Através de uma emboscada, Zumbi dos Palmares foi morto no dia 20 de Novembro de 1695. Sua cabeça foi cortada e exposta em praça pública como forma de demonstrar aos outros escravos qual seria a consequência se tentassem fugir. Com a morte do maior líder da resistência negra da época, a comunidade não conseguiu sobreviver. Em memória ao Zumbi, a data de seu falecimento ficou conhecida como Dia da Consciência Negra no Brasil.

Referências:

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-era-a-vida-no-quilombo-dos-palmares/ 24.01.2019.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Quilombo_dos_Palmares 24.01.2019.

Arquivado em: Brasil Colônia