Lontra

Graduada em Ciências Biológicas (USU, 2009)

A lontra, Lontra longicaudis, é um animal carnívoro, porte médio e semi-aquático que pode ser encontrado em toda a América Latina, exceto o Chile. Podem ser visualizados em ambientes como florestas, matas ciliares, lagos, rios e regiões litorâneas associadas a lagoas costeiras. No Brasil ocorre no bioma Amazônico, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Campos Sulinos, não estando presente apenas na Caatinga.

Lontra. Foto: Nadezda Murmakova / Shutterstsock.com

As principais características deste animal são: o corpo alongado e em formato hidrodinâmico, cabeça pequena, pernas curtas, cauda longa e pelagem densa, possuem uma membrana entre os dedos para facilitar o deslocamento dentro da água, medem de 55 a 120 cm de comprimento, pesando até 35 kg. É comumente confundida com as ariranhas, mas diferente das lontras, as ariranhas são maiores e vivem em grupos de até 20 indivíduos.

A dieta é composta preferencialmente por peixes e crustáceos, podendo incluir outros grupos de vertebrados e invertebrados, devido a isso a espécie apresenta uma forte dependência por corpos d’água límpidos e com presas disponíveis. A espécie prefere ambientes de águas claras, com fluxo de água intenso, mas podem ser encontradas em regiões com matas mais densas desde que sejam lugares úmidos e com boas condições de vegetação ribeirinha e com abundância de locais potenciais para tocas e áreas de descanso. São animais de hábitos solitários, sendo visto em duplas ou trios apenas durante o acasalamento e durante o período de amamentação, respectivamente. Apesar de depender de corpos d’água para se alimentar, algumas atividades da espécie são realizadas no ambiente terrestre, como por exemplo, sinalização odorífera, reprodução, descanso e cuidado parental.

As lontras apresentam padrões de atividades diurnas, contudo pode apresentar um regime de vida noturno, diante das atividades humanas no ambiente, havendo assim uma mudança no comportamento do animal e sendo possível encontrar esses animais em atividade nas primeiras horas da manhã, no crepúsculo e durante a noite justamente para evitar o contato com o homem.

Lontra-marinha (Enhydra lutris). Foto: David Litman / Shutterstock.com

É comum verificar marcações odoríferas nas florestas oriundas destes animais. As fezes e mucos (marcações odoríferas) são depositados em locais visíveis, podendo ser usados para a comunicação entre a espécie e a presença do indivíduo a intrusos e para coordenar a atividade sexual. A reprodução ocorre principalmente na primavera, no entanto pode ocorrer em qualquer época do ano em algumas localidades. A gestação dura de 56 a 86 dias, nascendo de 1 a 5 filhotes, que ficam sob os cuidados pela mãe durante o primeiro ano de vida. Os filhotes nascem cegos e iniciam suas atividades aquáticas com aproximadamente 74 dias sob a coordenação materna.

A lontra representa grande importância para o ecossistema aquático, pois está situada no ponto mais alto da pirâmide alimentar sendo, portanto, um indicador da qualidade biológica deste ambiente e controlador de populações de animais aquáticos. Está classificada como vulnerável (também classificada como quase ameaçada) na Mata Atlântica devido a sua interdependência com os corpos de água e matas ciliares que são constantemente degradadas. Estima-se que a perda da população seja decorrente do desmatamento e de outros fatores como abate por retaliação a concorrência pelo alimento com pescadores e piscicultura, poluição, e a expansão da malha hidroenergética e a venda da pele do animal influenciam gravemente no número de indivíduos no habitat.

Referências:

COSTA, M.T e COSTA, A.P.T. Levantamento bibliográfico sobre lontras (Lontra longicaudis) com ênfase às populações do Rio Grande do Sul, Brasil. Revista da Biologia, 2016.

OLIVEIRA, R. de. Biologia e Genética de Lontra longicaudis (Olfers, 1818) (Mammalia, Mustelidae): Uma revisão e ensaio a respeito do uso de marcadores moleculares. Universidade de São Carlos – Centro de Ciências e Saúde, 2014.

RODRIGUES, L. de A. Avaliação do risco de extinção da Lontra neotropical - Lontra longicaudis (Olfers, 1818) no Brasil. Avaliação do Estado de Conservação dos Carnívoros, Instituto Chico Mendes de Conservação, 2011.

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