Sagui

Graduada em Ciências Biológicas (USU, 2009)

O sagui pertence ao gênero Callithrix que é composto por 6 espécies presentes no Brasil, são pequenos primatas arborícolas encontrados na região central e oriental, algumas espécies foram introduzidas em diferentes regiões do país nos últimos anos. As espécies de saguis encontradas no Brasil são:

  • Callithrix jacchus (Sagui-de-tufos-brancos) tem ocorrência na Caatinga;

Sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus). Foto: Alf Ribeiro / Shutterstock.com

  • Callithrix penicillata (Sagui-de-tufos-pretos) habita principalmente áreas de Cerrado;

Sagui-de-tufos-pretos (Callithrix penicillata). Foto: Ricardo de Paula Ferreira / Shutterstock.com

  • Callithrix aurita (Sagui-da-serra-escuro), Callithrix flaviceps (Sagui-da-serra), Callithrix geoffroyi (Sagui-de-cara-branca) e Callithrix kuhlii (Sagui-de-wied) são típicas de Mata Atlântica.

Sagui-de-cara-branca (Callithrix geoffroyi). Foto: underworld / Shutterstock.com

Os saguis são animais de hábitos diurnos, de pequeno porte, com peso variando entre 350 a 450 gramas, podendo ser maior em algumas espécies e menores em outras. A pelagem também varia conforme a espécie e normalmente são utilizadas a variação na coloração para nomeá-los pela população. Os comportamentos habituais dos saguis são: a catação social, a vocalização, a aproximação de indivíduos do mesmo grupo, o forrageio, o descanso, a alimentação e o deslocamento pelas árvores. Estes animais dificilmente descem ao solo para evitar serem presas fáceis, preferindo viver nos galhos intermediários e copa das árvores. Alimentam-se basicamente de insetos, moluscos, filhotes de aves e mamíferos, pequenos lagartos, pequenos anfíbios, ovos, sementes, frutas, flores, goma etc.

O tamanho do grupo vai variar conforme a espécie, porém de maneira geral, a média é de 3-15 animais por grupo de sagui. O grupo social organiza um sistema de dominância e a possibilidade de viver em monogamia, poliginia, poliandria ou poliginandria. O que interfere diretamente no número de indivíduos por grupo e influenciando no aumento considerável de indivíduos durante o período em que se cuidam dos filhotes, visto que mais de uma fêmea no bando pode ter prole.

O período de gestação varia de 140-160 dias, nascendo 2 filhotes por gestação de uma única fêmea que andam agarrados nas costas da mãe e de outro integrante do grupo, com duas semanas já começam a complementar a amamentação com frutas e atingem a maturidade sexual por volta dos 13-14 meses.

A vocalização está presentes em todas as espécies de saguis e o repertório mais comum compreende em 13 sinais acústicos e alguns destes se mostraram exclusivos para certas idades. Algumas vocalizações estão mais aptas a serem emitidas associadas com certos contextos comportamentais ou como resposta a outras vocalizações. Estudos indicam que não há diferença quanto à frequência de uso das vocalizações de acordo com a posição hierárquica ou gênero dos animais do grupo.

Apesar de se aproximarem do homem com facilidade, deve-se evitar tocá-los, pois como são animais silvestres que ao ficar com medo atacam e morder o homem. Além disso, também deve evitar dar alimentos para estes animais, visto que quanto maior disponibilidade de alimentos os saguis aumentam a taxa reprodutiva e afetam diretamente na sobrevivência de aves, lagartos, anfíbios e outros mamíferos uma vez que se alimentam destes animais.

Os maiores predadores dos saguis são os cachorros domésticos que atacam quando eles se aproximam do solo, o homem que os matam por geralmente invadirem as residências e roubarem frutas e durante esse processo quebram objetos ao passar pela cozinha e ocasionalmente defecam, e tráfico de animais que geralmente aprisionam os filhotes que são mais mansos e fácies para serem domesticados ou vendidos a colecionadores e no processo até o receptor não sobrevive às más condições de transporte já que muitas vezes são drogados e ficam dias sem alimento, água e renovação de oxigênio.

Bibliografia:

DECANINI, D.P. Socialidade em Sagüis do Cerrado (Callithrix penicillata): Estratégias Comportamentais nas Relações Intra e Intergrupo. Universidade de Brasilia – Instituto de Ciências Biológicas, Brasilia, 2006.

GOMES, D.F. Comportamento de forrageio de saguis (Callithrix spp.) em cativeiro. Pontifica Universidade Católica do Rio Grande do Sul – Faculdade de Biociências, Porto Alegre, 2011.

MARTINS-BEZERRA, B. Vocalização do sagui comum: influências sociais e ontogênicas em ambiente natural. Universidade Federal de Pernambuco, 2006.

NICOLAEVSKY, B. Distribuição Geográfica e Modelagem de Habitat das Espécies do Gênero Callithrix (Primates, Callithrichidae). Universidade Federal do Espírito Santo – Centro de Ciências Humanas e Naturais, Vitória, 2011.

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