Raiz

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica de São Paulo, 2017)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica de São Paulo, 2012)
Graduação em Biologia (UNITAU, 2006)

As raízes são as primeiras estruturas a emergirem da semente durante a germinação. Suas principais funções são fixação das plantas no substrato e absorção de água e sais minerais. Entretanto, outras funções como condução e armazenamento também podem estar associadas com as raízes. O sistema radicular pivotante ou axial é característico das plantas do tipo eudicotiledôneas como a soja e o feijão, e é constituído por uma raiz principal desenvolvida, que usualmente penetra profundamente no solo e a partir da qual se formam as ramificações e as raízes laterais (Figura 1). Nas monocotiledôneas, como o milho e as gramíneas, as raízes são mais finas, com espessura uniforme e se originam de uma mesma região do caule. Essas raízes são chamadas de raízes adventícias, e o sistema recebe o nome de sistema radicular fasciculado. Nesse sistema não há a proeminência de nenhuma raiz e estas se encontram localizadas mais superficialmente no solo.

É possível distinguir quatro regiões e estruturas básicas nas raízes: coifa, região de alongamento, região pilífera e região de ramificação. A coifa cobre o ápice radicular e é formada por um conjunto de células em forma de capuz, que auxilia a raiz a penetrar no solo e protege os tecidos meristemáticos presentes na sua extremidade. A região de alongamento, apesar de geralmente apresentar poucos milímetros de comprimento, é a maior responsável pelo crescimento em comprimento da raiz, além de ser caracterizada pela ausência de ramificações laterais. A região pilífera é onde são encontrados os pelos radiculares, estruturas responsáveis por aumentar a superfície de absorção das raízes. Na região de ramificação é onde estão situadas as raízes laterais. Em função do hábitat e da sua localização, as raízes podem ser classificadas em aquáticas, subterrâneas e aéreas.

As plantas que flutuam na água possuem raízes aquáticas, como o aguapé. Essas raízes são finas e podem exibir uma coifa bem desenvolvida. Algumas espécies ainda podem apresentar raízes curtas e grossas que auxiliam na flutuação. A maior parte das plantas possuem raízes subterrâneas, ou seja, que se desenvolvem dentro do solo. Em certas espécies, essas raízes podem desempenhar função de reserva e são denominadas raízes tuberosas. As raízes tuberosas são espessas e armazenam vários tipos de substâncias de reserva. Esse espessamento pode tanto ser na raiz principal, como na cenoura, quanto nas raízes laterais, como ocorre na mandioca.

Raízes aéreas são aquelas que crescem em contato com a atmosfera. Existem diversos sistemas radiculares aéreos, o que reflete as diferentes adaptações das plantas ao seu ambiente. As raízes tabulares são estreitas e altas, semelhantes a pranchas ou tábuas, ocorrendo com frequência em espécies arbóreas e têm como função auxiliar na respiração das plantas. Já as raízes grampiformes estão presentes em trepadeiras, sendo aquelas raízes adventícias que fixam essas plantas em muros, paredes ou até mesmo em outras plantas. As raízes escoras ou de suporte são de origem caulinar e auxiliam a planta na fixação do solo, como observado no milho. Ao se fixarem no solo, essas raízes passam a absorver água e nutrientes. Plantas de regiões alagadas, como o mangue, podem desenvolver raízes com geotropismo negativo denominadas de respiratórias ou pneumatóforos. Estas raízes crescem para cima e para fora do solo, contribuindo para uma aeração adequada.

Figura 1 – Comparação entre o sistema radicular de plantas do tipo monocotiledôneas e eudicotiledôneas. Ilustração: Jakinnboaz / Shutterstock.com

Referências bibliográficas:

Raven, P.; Evert, R.F. & Eichhorn, S.E. 2007. Biologia Vegetal. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 830 p.

Souza, L.A. 2009. Morfologia e anatomia vegetal: células, tecidos órgãos e plântula. Ponta Grossa: Ed. UEPG, 259 p.