Canibalismo

Por Thais Pacievitch

O canibalismo ocorre quando um individuo mata e come outro individuo de sua própria espécie. Trata-se de uma relação ecológica considerada intra-especifíca desarmônica.

Algumas espécies, como a aranha viúva-negra (entre outras espécies), o louva-deus, e os escorpiões praticam o canibalismo logo após o acasalamento. Nos três casos, são as fêmeas que devoram seus parceiros. Entre os peixes, algumas espécies se alimentam de alevinos da mesma espécie.

Dentre os motivos que levam um individuo a devorar outro da mesma espécie, destacam-se: a supremacia reprodutiva; a necessidade de obter uma reserva de proteínas para o melhor desenvolvimento dos embriões em seu organismo (caso das fêmeas que devoram seus parceiros); a rivalidade, seja por escassez de alimento ou pelo aumento excessivo na população da espécie.

É o que ocorre entre os ratos almiscarados quando a população aumenta a ponto de faltar lugar para a construção de ninhos. Os ratos machos matam e se alimentam de fêmeas e filhotes indefesos. O aumento populacional também é a causa do canibalismo entre os caranguejos-aranha (hyas araneus), que devoram os indivíduos mais jovens, de carapaça mole.

Entre algumas espécies de tubarões (tubarão-anequim, tubarão-anequim-de-barbatanas-compridas, tubarão-mangona e tubarão-touro), o canibalismo ocorre antes do nascimento. Trata-se do canibalismo intra-uterino, ou seja, os embriões mais fortes devoram os mais fracos, além dos ovos não fecundados.

Embora o canibalismo seja uma relação ecológica, ou seja, natural em algumas espécies, situações extremas podem levar outras espécies a adotarem essa prática.

Infraestrutura e/ou manejo inadequados são causadores de canibalismo entre pintinhos e entre porcos criados para abate, ou seja, em cativeiro. Em abrigos para cães, quando os mesmos não são alimentados adequadamente, o canibalismo pode ocorrer.

Entre os humanos, o canibalismo, ou nesse caso, antropofagia, foi uma prática culturalmente aceita em tribos das Américas (astecas e algumas outras tribos indígenas), da África e de algumas ilhas do Pacífico Sul. Após a colonização tais práticas foram abandonadas.

Alguns casos de assassinato, seguido de canibalismo espantaram o mundo nas últimas décadas. No entanto, a antropofagia salvou a vida de 16 pessoas em 1972, quando um avião uruguaio caiu na Cordilheira dos Andes. Sem outra opção, os sobreviventes se alimentaram da carne dos passageiros mortos em decorrência da queda do avião até serem resgatados, o que ocorreu 71 dias após o acidente.