Tartaruga-de-pente

Tartaruga-de-pente. Foto: Andrey Armyagov / Shutterstock.com

Tartarugas da espécie Eretmochelys imbricata são conhecidas como tartaruga-de-pente ou tartaruga-verdadeira, considerada a mais tropical de todas as tartarugas marinhas devido a sua distribuição geográfica. Esta espécie pode chegar a pesar em torno de 80 kg. O nome tartaruga-de-pente foi dado em razão da fabricação de pentes, armações de óculos e outros artefatos com o casco da tartaruga.

A carapaça possui 4 pares de placas laterais imbricadas (sobrepostas), sua coloração é marrom com manchas amareladas e seu ventre possui a coloração amarelo claro, sua cabeça possui 2 pares de placas pré-frontais e 3 pares de placas pós-orbitais; seu casco pode chegar a 100 cm de comprimento em média.

Sua distribuição está entre as regiões do Atlântico Central e do Indo-Pacifico, são encontradas também nas áreas de desova que ficam perto de recifes de corais e dispersas em praias da Península de Yucatan (México), em ilhas do Caribe, Indonésia e em ouras ilhas do Pacífico e Índico; já no Brasil podem ser encontradas no litoral norte da Bahia, Rio Grande do Norte e há ocorrências esporádicas no Espírito Santo, Sergipe e Ceará.

Quando filhotes, vivem em associação com bancos de algas do gênero Sargassum, podendo também se alimentar de pequenos crustáceos. Parte de sua fase juvenil desta espécie é onívora, durante este período se alimentam de ovos de peixes, cnidários, moluscos, ouriços e corais. Juvenis maiores e adultos possuem o bico córneo mais desenvolvido, por este motivo sua dieta alimentar passa a ser mais especializada, podendo ingerir esponjas.

Normalmente a E. imbricata apresenta alta fecundidade - em cada postura realizada pelas fêmeas são depositados nos ninhos de 120 a 130 ovos, e podem realizar várias posturas por temporada reprodutiva. O intervalo entre as temporadas reprodutivas é de aproximadamente 2 anos e 11 meses. Como em todas as espécies de tartarugas marinhas, a mortalidade de filhotes e juvenis é alta, sendo que a cada 1.000 ovos apenas um ou dois filhotes conseguem sobreviver até a fase adulta.

Assim como na maioria das espécies, as principais ameaças são as constantes descaracterizações dos habitats, pesca incidental e poluição dos ambientes marinhos. A urbanização demasiada na linha costeira onde há desovas da espécie gera grandes problemas como fotopoluição, predação por animais domésticos e alteração das características naturais das praias de desovas. A poluição dos oceanos gera grandes problemas devido a ingestão de resíduos sólidos que acarretam o risco de doenças e até mesmo a morte destes animais.

Fontes:
http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/biodiversidade/fauna-brasileira/livro-vermelho/volumeII/Repteis.pdf

Conceição, M.B.; Levy, J.A.; Marins, L.F. & Marcovaldi, M.Â., 1990. Electrophoretic characterization of a hybrid between Eretmochelys imbricata and Caretta caretta (Cheloniidae). Comp. Biochemical Physiology, 97B

LIMA, E. H. S. M.; CARVALHO, R. I.; BRUM, S. M.; PEREIRA, S. M.; MELO, M. T. D. Ocorrência de tartarugas marinha durante o ano de 2005 registradas pela Base do Projeto TAMAR-IBAMA. In: CONGRESSO DE BIOLOGIA MARINHA, 1., 2006. Resumos…, Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2006. p.151

Lima, E. H. S. M. 2002. Alguns dados sobre desovas de tartaruga de pente (Eretmochelys imbricata) no litoral leste do Ceará, p.426. In: Resumos do XXIV Congresso Brasileiro de Zoologia. UNIVALI, 2002.

Chaloupka, M. Bjorndal, K.A.; Balazs, G.H.;Bolten, A.B.; Bolten, Ehrhart, L.M.; Limpus, C.J.; Suganuma; H.; Troëng, S. & Yamaguchi, M. 2008. Encouraging outlook for recovery of a once severely exploited marine megaherbivore. Global Ecology and Biogeography

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