Fratura de coluna

Graduação em Fisioterapia (Faculdade da Serra Gaúcha, FSG, 2014)

As fraturas de coluna são um dos principais causadores de morbidade e mortalidade na população mundial. As causas das fraturas na coluna vertebral são os mais distintos, variando entre acidentes automobilísticos, quedas de alturas, lesões decorrentes de violência e traumas desportivos. Quanto aos dados epidemiológicos, estima-se que os traumas neurológicos ocorram principalmente com adultos jovens, sendo 40% de ocorrência de fraturas cervicais, 15-20% de fraturas torácicas e 35% de fraturas lombares.

Com os grandes índices de fraturas de coluna vertebral, percebe-se a necessidade de entender de forma mais profunda quais são os possíveis prejuízos que esse tipo de lesão pode vir a manifestar. Dentre eles, podemos citar a incapacidade, dificuldade temporária ou permanente para a realização das AVD’s, dores crônicas locais ou no segmento inervado, bem como o desenvolvimento de outros problemas, tais como: instabilidades vertebrais tetraparesia transitória, apofisite de coluna, espondilólise traumática, fraturas de arco vertebral, paraplegia, tetraplegia, entre outras. Dentre os mecanismos de lesão, podemos citar os seguintes movimentos: flexão, extensão, cisalhamento, torção, microtraumas repetitivos, movimentos com impacto, movimento em chicote, entre outros.

Os principais perfis de indivíduos acometidos com esse tipo de fratura traumática envolvem adultos jovens, em idade economicamente ativa, que acabam resultando em lesões neurológicas significativas e incapacitantes, tornando-os na maior parte das vezes dependentes para a realização de atividades de vida diária. O comprometimento neurológico caracteriza-se através de escalas, como a de Frankel, associada à escala de avaliação de fraturas, como a de Magerl.

No entanto, as fraturas podem ser classificadas da seguinte forma:

Escala de Magerl:

  • Tipo A: atuação de forças compressivas resultando em fraturas com redução da altura do corpo vertebral;
  • Tipo B: forças de distração presentes causando rupturas transversas;
  • Tipo C: atuação de torque axial ocasionando lesões rotacionais;

Já o comprometimento neurológico pode ocorrer de duas formas:

  • Primária (ocorrem no ato do trauma): Contusão (principal mecanismo por absorção de energia cinética, com morte neuronal e hemorragia), compressão, estiramento, laceração;
  • Secundárias (isquemia e edema): resultam de processos reacionais;

A partir dessa classificação, podem-se estabelecer padrões de lesão neurológica a partir das fraturas da seguinte forma:

  • Lesões completas: perda motora sensitiva total, distal à lesão, com reflexo bulbocavernoso (presente nas terminações nervosas de S3 e S4) presente, com choque espinhal ausente, podendo recuperar-se entre 24 e 48 horas;
  • Lesões incompletas: são lesões que ocorrem e comprometimento local, preservando assim a função motora ou sensitiva distal à lesão medular.

Conforme as características citadas anteriormente, podemos ilustrar através da escala de Frankel para melhor compreensão.

  1. Função motora e sensitiva ausentes;
  2. Sensibilidade presente, função motora ausente;
  3. Sensibilidade presente, função motora presente mas não útil (graus 2 e 3)
  4. Sensibilidade presente, função motora presente e útil (graus 4 e 5)
  5. Sensibilidade presente, função motora preservada

Outra escala amplamente utilizada para diagnóstico e classificação de disfunção a partir das fraturas de coluna é a escala de disfunção da ASIA:

  1. Lesão completa
  2. Preservação sensitiva incompleta
  3. Preservação motora incompleta com força muscular inferior ao grau 3
  4. Preservação motora incompleta com força muscular superior ao grau 3

Segundo a classificação de Denis, as fraturas são descritas com as seguintes características:

  • Coluna anterior: lesão no ligamento longitudinal anterior, porção anterior do disco e metade anterior do corpo vertebral;
  • Coluna média: lesão no ligamento longitudinal posterior, porção posterior do disco e a metade posterior do corpo vertebral;
  • Coluna posterior: lesão de pedículo, facetas, lâminas e o complexo ligamentar posterior (ligamento supra-espinhal, infra-espinhal, amarelo, cápsula das articulações facetarias)

Porém, é imprescindível que se realize acompanhamento médico e exames complementares para que o diagnóstico seja feito de forma correta, tais como ressonância magnética, raio x, tomografia, mielografia, dentre outros. Dessa forma, as condutas serão melhores selecionadas pelo médico.

Tipo de lesão/Estrutura Coluna anterior Coluna média Coluna posterior
Compressão Compressão Nenhum Nenhum ou distração (em lesões graves)
Explosão Compressão Compressão Nenhum ou distração
Distração Nenhum ou compressão Distração Distração
Fratura/ Luxação Compressão e/ou rotação, cisalhamento Distração e/ou rotação, cisalhamento Distração e/ou rotação, cisalhamento

Bibliografia:

NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

TORTORA, Gerard J. Corpo Humano – Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. Porto Alegre. 4ª ed. Artmed Editora. 2000.

https://pt.slideshare.net/AdrianoPires/fraturas-da-coluna-lombar

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