Space Opera

A “space opera” é um subgênero da ficção científica. A tradução literal do termo é “ópera espacial”, mas uma tradução mais apropriada às suas características e que é mais usual é “novela espacial” (a space opera é um gênero de ficção mais novelesco).

SpaceOperaCom roteiros exagerados e dramatizados, durante um tempo, a space opera foi chamada de “super ficção”. Nela as histórias, geralmente, envolvem grandes corporações que abrangem extensões do universo (como os “Impérios Galácticos” de “Guerra nas Estrelas” escrito por George Lucas ou da “Fundação” de Isaac Asimov), máquinas e seres ciclópicos, guerras estelares e planetas sendo destruídos por forças incríveis e grandes manipulações de tecnologia.

A space opera surgiu durante a Era de Ouro da ficção científica quando as publicações de ficção ganharam fama entre o grande público e começaram a surgir diversas publicações. Algumas de qualidade duvidosa. Por isso o termo surgiu com uma conotação pejorativa. Em 1941, Wilson Tucker usou o termo “space opera” para designar as histórias de ficção que se encontravam um tanto esgotadas e permeadas de clichês.

As primeiras histórias deste gênero surgiram com E. E. “Doc” Smith com “The Skylark of Space” de 1928, antes mesmo que o termo space opera fosse cunhado.

Hoje a space opera já tem uma aceitação melhor, mas ainda é considerada pela maioria dos críticos como um tipo marginal de literatura. Apesar das críticas, é o tipo mais popular entre o grande público, principalmente no cinema e na televisão. O que fez com que, para a maioria das pessoas, a space opera se tornasse sinônimo de ficção científica, pois poucos conhecem essa divisão (ou diferença) de gênero literário e cinematográfico contribuindo, infelizmente, para criar uma certa aversão pela ficção científica (a verdadeira) entre aqueles que se dizem “intelectuais”.

Mas, sejamos justos. Nem toda produção literária, cinematográfica ou, principalmente, televisiva tem a obrigação ou objetivo de educar e formar opiniões. Algumas são meramente entretenimento puro e barato (ou nem tanto “barato”: geralmente as space operas cinematográficas envolvem superproduções de alguns milhões de dólares). Cabe ao consumidor fazer essa diferenciação, ao invés de acreditar em tudo o que lê ou vê.

A ficção científica verdadeira, tem o objetivo de fazer com que o leitor reflita sobre sua própria realidade ou sobre as implicações sociais e éticas dos avanços científicos ao ler uma história ou situação que se passa em um “suposto futuro distante” (a Social Science Fiction), ou ainda, refletir sobre as possibilidades de descobertas ou invenções científicas (a ficção científica focada na “antecipação” da ciência) que teve seu auge na Era Dourada com verdadeiros “videntes” como Arthur Clarke (que “previu” um sistema de comunicação por satélites cerca de 25 anos que isso ocorresse).

A space opera, por sua vez, teve uma evolução distinta da ficção científica chegando mesmo a surgir, no final da década de 90 a “nova space opera” que engloba temas como nanotecnologia, singularidades, física quântica, e muda do conceito de “impérios” e sistemas monárquicos como dominantes para o socialismo e o anarquismo . Alguns autores da “nova space opera”: Ken MacLeod, Alastar Reynolds e M. John Harrison.

Nos anos 80 a space opera passou a incorporar mais elementos militares e depois literários, como nas obras de alguns autores como C. J. Cherry e Dan Simmons, respectivamente. Mas em todos os casos, na velha ou nova space opera, o ponto central sempre foi a relação entre o avanço incrível e destruidor da tecnologia e a banalização da vida, traduzida em guerras de extermínio entre raças e tentativa de manter a supremacia (neste ponto, não difere tanto da realidade...).

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