Pré-Simbolismo

O movimento simbolista é de origem francesa, seus principais representantes foram Mallamé e Verlaine.

Aqui no Brasil, o principal escritor simbolista foi Cruz e Souza e seus livros Missal e Broquéis marcaram o início do Simbolismo no Brasil.

Em Portugal, o Simbolismo iniciou com o lançamento do livro Oaristos de Eugênio de Castro e terminou em 1915 com o início do Modernismo.

Porém, antes disso, houve o que podemos chamar de Pré-Simbolismo. Durante esta fase houve um escritor - o maior escritor francês do século XIX e considerado o pai do Simbolismo francês - que influenciou diversos escritores, dentre eles Eça de Queirós e Cesário Verde. Seu nome era Charles Baudelaire.

Baudelaire nasceu em 9 de abril de 1821 em Paris e sua influência ultrapassou barreiras influenciando escritores com tendências simbolistas.

Foi poeta e crítico literário, porém, enquanto uns o admiravam - Vitor Hugo (Os Miseráveis) e Flaubert (Madame Bovary) – outros não o compreenderam.

Algumas Obras
- As Flores do Mal
- Pequenos Poemas em Prosa
- Escritos sobre arte
- Paraísos Artificiais
- O Spleen de Paris

Características de sua obra

Suas obras falam sobre morte, luxúria, maldições e satanismo e uma primeira leitura poderá chocar algumas pessoas. Tanto é verdade, que seu livro As Flores do Mal foi considerado uma ofensa à moral pública e ele teve que pagar uma multa. Abaixo, a versão traduzida pelo jornalista e escritor Ivan Junqueira, em 1985 (ed. Nova Fronteira):

AS FLORES DO MAL

A QUE ESTÁ SEMPRE ALEGRE

Teu ar, teu gesto, tua fronte
São belos qual bela paisagem;
O riso brinca em tua imagem
Qual vento fresco no horizonte.

A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua flama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus braços.

As fulgurantes, vivas cores
De tua vestes indiscretas
Lançam no espírito dos poetas
A imagem de um balé de flores.

Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!

Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim;

E humilhado pela beleza
Da primavera ébria de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.

Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,

Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Uma larga e funda ferida,

E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios frementes,
Mais deslumbrantes, mais ridentes,
Infundir-te, irmã, meu veneno!

Charles Baudelaire viveu uma vida atribulada e morreu no dia 31 de agosto de 1867 de paralisia geral.

Seu talento só foi reconhecido depois de sua morte.