Complemento oblíquo

Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância (UFF)
Graduação em Letras (Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira, FUNCESI)

O complemento oblíquo é um tipo de complemento verbal de presença obrigatória na construção dos enunciados. Pode ser representado por um “grupo preposicional”, isto é, uma unidade linguística introduzida por uma preposição; ou por um “grupo adverbial”, ou seja, uma sequência linguística com função adverbial na oração. Em prosseguimento, propõe-se a observação atenta dos complementos oblíquos na composição destas sentenças:

a) "Em um sábado abafadiço de verão, Júlia foi à praia na companhia das amigas."

Repare que o verbo “foi” necessita de complemento. Imagine se fosse dito apenas “Em um sábado abafadiço de verão, Júlia foi.”. Mas, aonde? Afinal, quem foi, foi a algum lugar. O verbo “foi” oferece inúmeras possibilidades de complementação, visto que há uma infinidade de lugares ou eventos. Foi à igreja? Ao clube? Ao baile?... Nessa instância, é imprescindível a especificação do referido verbo para que o enunciado possa ser entendido. Perceba, então, que “à praia” completa o sentido do verbo “foi”, por intermédio da preposição “a”, que se encontra subentendida pela ocorrência da crase (fusão da preposição “a” com o artigo “a”, formando “à”). Nesse caso, “à praia” consiste em um “grupo preposicional”.

b) "A piedosa senhora mora naquela imponente fazenda."

Integra a oração, exposta acima, o verbo “mora”, cujo significado não basta por si só. Visualize o enunciado sem o complemento: “A piedosa senhora mora.”. Mas, mora onde? Por isso, houve a necessidade da especificação de lugar exigida pelo verbo “mora”. Nesse cenário, “naquela imponente fazenda” corresponde a um “grupo adverbial”.

Cabe ressaltar a distinção entre o complemento oblíquo e o modificador. Compare com atenção:

  1. "Aquele palestrante se expressa bem."
  2. "Os dançarinos preparavam, cuidadosamente, a coreografia a ser apresentada."

Note que o verbo “expressa”, que integra a primeira oração, exige que a sua ideia seja complementada, pois quem se expressa, o faz de determinada maneira. Aquele palestrante se expressa de que modo? Mal? Ruidosamente? Alegremente? Firmemente? ... Existem variadas possibilidades concernentes ao modo de alguém se expressar. Por isso, o complemento “bem” foi empregado para a obrigatória especificação da ação verbal. Em contrapartida, na segunda oração, constate que o termo “cuidadosamente” foi inserido, após o verbo “preparavam”, para indicar a circunstância em que ocorreu a ação. Por isso, funciona como “modificador” e, não, como “complemento”, já que a sua ausência não comprometeria o entendimento do enunciado, veja: “Os dançarinos preparavam a coreografia a ser apresentada.”.

Para encerrar: O complemento oblíquo integra determinados predicados para completar o significado verbal. Pode ser representado pelo grupo “preposicional” (unidade linguística introduzida por uma preposição) ou pelo grupo “adverbial” (sequência linguística com valor adverbial).

Referência:

CASTILHO, Ataliba T. de. Complemento oblíquo. In: ___ Nova Gramática do português brasileiro: tradição e ruptura. São Paulo: Contexto, 2010, p. 305.

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