Pronome oblíquo

Mestre em Ciências Humanas (CEFETRJ, 2014)
Especialista em Linguística, Letras e Artes (CEFETRJ, 2013)
Graduada em Letras - Literatura e Língua Portuguesa (UFRJ, 2011)

Frequentemente, enquanto estuda conteúdos de língua portuguesa, nos deparamos com muitas nomenclaturas e classificações e nem sempre temos uma compreensão exata do que se refere. Por essa razão, é preciso conhecer com precisão a definição dos termos e conceitos mencionados nos nossos estudos. Pronome oblíquo, por definição, é uma subdivisão de pronome. Podemos definir pronome como um termo capaz de acompanhar ou substituir um nome, em geral, um nome substantivo.

Os pronomes se subdividem de acordo com sua forma e sua função. Pronome oblíquo é um pronome que se diferencia dos outros em função do caso. Caso, por definição, nas línguas que utilizam esse fenômeno linguístico, é a mudança na forma das palavras que se flexionam para indicar uma função sintática da palavra na frase. O Português não é uma língua de caso, é uma língua que marca as funções sintáticas das palavras na frase pela posição. Porém, a língua que deu origem ao Português -o Latim - era uma língua que usava o caso para mudar a forma das palavras e assim indicar a função sintática delas na frase. O pronome oblíquo que hoje usamos em Português é um resquício histórico de caso do latim que se manteve na evolução do Latim ao Português.

Essa informação nos ajuda a entender melhor a definição de pronome oblíquo: trata-se do pronome pessoal que exerce na frase em que está inserido uma função sintática de complemento ou de adjunto. Muda-se a forma porque muda-se a função sintática, exatamente como aconteciam com os casos em Latim. Por isso, fazemos distinção entre pronomes do caso reto e do caso oblíquo. O caso reto se refere a aqueles pronomes que podem exercem função de sujeito na frase (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas) e o caso oblíquo se refere aos pronomes que exercem função de complemento (objeto direto ou objeto indireto) ou de adjunto adverbial. Os pronomes oblíquos podem ainda ser subdivididos em tônicos (mim, comigo, ti, contigo, si, consigo, nós, conosco, vós, convosco) e átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes).

É importante observar que alguns pronomes oblíquos podem ter sua forma alterada, recuperando partes de sua forma original em Latim que se perderam ao longo da passagem do Latim ao Português, não aparecendo em outros contextos. É o caso, por exemplo, como os que ocorrem depois de formas verbais terminadas em -r, -s ou -z, quando as formas de pronome (o, a, os, as) recuperam um l; ou quando o verbo termina em consoante nasal e os pronomes recuperam um n, passando a formas como (viram + a = viram-na, receber + a = recebe-la, repõe + os = repõe-nos, fiz + o = fi-lo, fazeis + o = fazei-lo).

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