Figuras de Construção ou Sintáticas

Por Paula Perin dos Santos
As figuras de construção ou figuras de sintaxe são assim chamadas por que apresentam algum tipo de modificação na estrutura da oração.

A estrutura sintática do Português compreende uma sequência lógica que se compõe dos seguintes elementos:

NOME (elemento estático) + VERBO (elemento que revela uma situação) + COMPLEMENTO

Assim, as figuras de construção vão apresentar uma “quebra” nessa sequência lógica, através da inversão dos elementos, da omissão de alguns ou da repetição deles. Esse recurso é bastante utilizado nos textos literários, na oralidade e também como recurso convincente em propagandas veiculadas nos meio de comunicação. Com isso, que o utiliza pretende imprimir um novo tom ao que se quer dizer.

Veja o seguinte exemplo, extraído e adaptado da Revista Bravo!:

“Para acabar com a sujeira, só Bombril”.

Neste anúncio, ocorrem duas figuras de construção. Primeiro, houve a inversão dos elementos sintáticos da frase, que na ordem direta seria – “Só Bombril para acabar com a sujeira”; segundo, há pelo menos duas possibilidades de verbos subentendidos:

  • “Para acabar com a sujeira, [use] só Bombril”.
  • “Para acabar com a sujeira, só [existe] Bombril”.

Neste trecho do poema “Ou isto ou aquilo”, de Cecília Meireles, a poetisa utilizou-se da repetição para compor seus versos:

  • “Ou se tem chuva e não se tem sol
  • Ou se tem sol e não se tem chuva.”

A Gramática Normativa da Língua Portuguesa classifica as figuras de construção em: aliteração, anáfora, anacoluto, anástrofe, assíndeto, elipse, hipérbato, pleonasmo, polissíndeto, repetição, silepse e zeugma.

Referências:
MESQUITA, Roberto Melo. Gramática da Língua Portuguesa. 8 ed. São Paulo, Saraiva, 2005, p. 563.