Figuras de Palavras

Por Paula Perin dos Santos
As figuras de palavras (ou tropos) se caracterizam por apresentar uma mudança, substituição ou transposição do sentido real da palavra, para assumir um sentido figurado mediante o contexto.

Isso acontece em diversas situações e diferentes tipos de texto. Quando afirmamos “Marcos é fera em Matemática”; em momento algum inferimos que “Marcos é algum bicho ou coisa parecida”, e sim que ele é sabe muito sobre esse assunto.

Esse recurso proporciona o exercício da criatividade linguística, abrindo ao usuário da língua a possibilidade se expressar com mais eficácia nos diversos contextos comunicativos.

Leia o poema “Inutilidades”, de José Paulo Paes:

“Ninguém coça as costas da cadeira.

Ninguém chupa a manga da camisa.

O piano jamais abandona a cauda.

Tem asa, porém não voa, a xícara.

De que serve o pé da mesa se não anda?

E a boca da calça, se não fala nunca?

Nem sempre o botão está na sua casa.

O dente de alho não morde coisa alguma.

Ah! Se trotassem os cavalos do motor...

Ah! Se fosse de circo o macaco do carro...

Então a menina dos olhos comeria

Até bolo esportivo e bala de revólver”.

Neste texto, o poeta brinca em usar a linguagem denotativa para expressões que são conotativas. Quando ele menciona “pé da mesa”, ele sabe que “pé” não está no seu sentido real, mas mesmo assim ele graceja, complementando o período com a expressão “se não anda”. E assim ele faz em todo o poema, questionando através da brincadeira os termos que empregamos quando faltam palavras para expressar o que se quer dizer.

A Gramática Normativa da Língua Portuguesa reconhece como sendo as principais figuras de palavras a comparação, metáfora, catacrese, metonímia e perífrase.

Referência bibliográfica:
MESQUITA, Roberto Melo. Gramática da Língua Portuguesa. 8 ed. São Paulo, Saraiva, 2005, p. 557-569.