Figuras de Palavras

As figuras de palavras (ou tropos) se caracterizam por apresentar uma mudança, substituição ou transposição do sentido real da palavra, para assumir um sentido figurado mediante o contexto.

Isso acontece em diversas situações e diferentes tipos de texto. Quando afirmamos “Marcos é fera em Matemática”; em momento algum inferimos que “Marcos é algum bicho ou coisa parecida”, e sim que ele é sabe muito sobre esse assunto.

Esse recurso proporciona o exercício da criatividade linguística, abrindo ao usuário da língua a possibilidade se expressar com mais eficácia nos diversos contextos comunicativos.

Leia o poema “Inutilidades”, de José Paulo Paes:

“Ninguém coça as costas da cadeira.

Ninguém chupa a manga da camisa.

O piano jamais abandona a cauda.

Tem asa, porém não voa, a xícara.

De que serve o pé da mesa se não anda?

E a boca da calça, se não fala nunca?

Nem sempre o botão está na sua casa.

O dente de alho não morde coisa alguma.

Ah! Se trotassem os cavalos do motor...

Ah! Se fosse de circo o macaco do carro...

Então a menina dos olhos comeria

Até bolo esportivo e bala de revólver”.

Neste texto, o poeta brinca em usar a linguagem denotativa para expressões que são conotativas. Quando ele menciona “pé da mesa”, ele sabe que “pé” não está no seu sentido real, mas mesmo assim ele graceja, complementando o período com a expressão “se não anda”. E assim ele faz em todo o poema, questionando através da brincadeira os termos que empregamos quando faltam palavras para expressar o que se quer dizer.

A Gramática Normativa da Língua Portuguesa reconhece como sendo as principais figuras de palavras a comparação, metáfora, catacrese, metonímia e perífrase.

Referência bibliográfica:
MESQUITA, Roberto Melo. Gramática da Língua Portuguesa. 8 ed. São Paulo, Saraiva, 2005, p. 557-569.

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