Ligação Covalente Coordenada

Por Júlio César Lima Lira
A ligação covalente coordenada (até algum tempo atrás denominada covalente dativa, ou simplesmente, dativa) é um tipo especial de ligação covalente: ao invés de átomos compartilharem elétrons mutuamente (com o par eletrônico formado por um elétron de cada), um dos ligantes “doa” um par inteiro ao outro.

O verbo “doa” não está entre aspas sem motivo, pois o par cedido não torna-se propriedade do segundo. Assim, mesmo que não haja compartilhamento mútuo, o par completa as eletrosferas de ambos.

Aspectos da Ligação Covalente Coordenada

A ligação covalente coordenada só pode ser realizada se o átomo a conceder o par de elétrons estiver estabilizado de acordo com a regra do octeto (com oito elétrons na camada de valência). Ou seja, um átomo torna-se apto a “doar” elétrons se, e somente se, estiver na condição de gás nobre – pois se compartilhasse estes dois elétrons com outro átomo, seria um exemplo de exceção à regra do octeto (possuiria, nesse caso, 10 elétrons na camada de valência).

Outro aspecto a ser notado é que o par “doado” é constituído por elétrons emparelhados (antiparalelos – os números quânticos de spins serão iguais a +1/2 e -1/2). Estes são inclusos diretamente em um orbital vazio, preenchendo-o e tornando o átomos mais próximo de 8 elétrons (se já não o estiver).

Força da Ligação

Uma vez ocorrida a ligação covalente coordenada (processo de coordenação), a mesma não se diferencia significativamente de uma covalente comum. Ou seja, possuem praticamente as mesmas características de energia e estabilidade.

A teoria ácido-base de Lewis abrange reações onde um ou mais átomos de um ou mais compostos concedem pares eletrônicos a um átomo de outro composto – os ácidos de Lewis são justamente os que recebem pares, e as bases de Lewis, obviamente, as que concedem.

A reação entre a amônia e o trifluoreto de boro é um exemplo de reação ácido-base à luz da teoria de Lewis:

A formação do complexo amônia-trifluoreto de boro (um aduto, pois as estruturas moleculares da amônia e do trifluoreto de boro permanecem as mesmas) dá-se pela “doação” de um par eletrônico do nitrogênio para o boro: o nitrogênio possui octeto completo, e o boro apenas 6 elétrons. Assim, ambos estão aptos a formar a ligação.

No monóxido de carbono, o oxigênio estabelece dupla ligação covalente comum com o carbono e, ainda, um coordenada com este:

Outros exemplos também são comumente trazidos por livros didáticos: trióxido de enxofre (o átomo de enxofre “doa” um par para dois dos átomos de oxigênio) ou ácido sulfúrico (o átomo de enxofre também realiza duas ligações covalentes coordenadas com dois átomos de oxigênio).

Fonte:
ATKINS, Peter. LORETTA, Jones. Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio ambiente; tradução Ricardo Bicca de Alencastro. – 3ª Ed. – Porto Alegre: Bookman, 2006. 968 páginas.