Bonobo

Graduada em Ciências Biológicas (USU, 2009)

O bonobo (Pan paniscus), também chamado de chimpanzé-pigmeu recebeu este nome por ter surgido na terra dos pigmeus, mas não apresentam nenhuma redução de tamanho quando comparado a outros chimpanzés. É uma espécie endêmica do República Democrática do Congo, e encontrada apenas nas densas florestas equatoriais ao sul do rio Congo. Bonobos ocupam uma variedade de habitats, incluindo florestas densas, úmidas, pântanos, secas, florestas secundárias e savana.

Bonobo fêmea adulta. Foto: r Sergey Uryadnikov / Shutterstock.com

O bonobo é um símio do grupo dos primatas, semelhante ao chimpanzé e distinguem-se destes por apresentar pernas relativamente longas, lábios cor-de-rosa e o rosto moreno. Segundo estudos genéticos o animal mais próximo ao ser humano. Como todos os integrantes do grupo dos primatas, apresentam face pequena e cérebro grande quando comparados ao resto da face. Nas últimas três décadas, as organizações de pesquisa e conservação têm apoiado ao governo do Congo em seus esforços para proteger esses animais únicos, pois devido a sua proximidade com os humanos a classe científica poderia propor inúmeras teorias para entender a evolução e as características humanas.

As principais características da espécie são: uma postura ereta, uma cultura matriarcal e igualitária. Os bonobos são principalmente frutívoros, mas também comem vegetação (folhas, flores, sementes, cogumelos, algas e plantas aquáticas), invertebrados (larvas, térmitas, formigas, minhocas) e ocasionalmente peixes e pequenos e médios mamíferos. Eles vivem em comunidades de em média 30-80 indivíduos, movendo-se em grupos menores quando em busca de alimento.

As fêmeas e os jovens emigram de suas comunidades natalinas e se mudam entre as comunidades vizinhas antes de se estabelecerem permanentemente em um grupo. Os machos geralmente permanecem na comunidade natal. Os machos de Bonobo são menos territoriais e menos agressivos para com os machos das comunidades vizinhas. As coalizões femininas influenciam as estratégias de acasalamento e a partilha de alimentos, e são mantidos e reforçados por comportamentos únicos aos bonobos conhecidos como esfregaço genital. Este comportamento também serve para reduzir as tensões sociais. A massa corporal em machos varia entre os 34 a 60 kg, contra uma média de 30 kg nas fêmeas. O comprimento total dos bonobos (desde o nariz até a anca) é de 70 a 83 centímetros.

Filhote de Bonobo em seu habitat natural, na República Democrática do Congo. Foto: Sergey Uryadnikov / Shutterstock.com

Os bonobos são capazes de se comunicar de forma primária e têm expressões faciais semelhantes às produzidas pelos seres humanos, consequentemente, podem ser reconhecidas pelos seres humanos.

Através de um acordo mundial, diversos pesquisadores de fora do Congo têm intensificado as suas pesquisas na região e analisado os dados obtidos sobre os bonobos. Pesquisas atuais identificaram que, apesar do imenso esforço investido, os dados coletados entre 2003 e 2010 cobriram menos de 30% da faixa geográfica do bonobo. Os dados quantitativos eram muito irregulares para permitir que o número total de bonobos restante fosse estimado. No entanto, as pesquisas sistemáticas que foram conduzidas dão uma população mínima de aproximadamente 15.000-20.000 indivíduos.

Os bonobos encontram-se listados na lista vermelha de espécies ameaçadas, isto quer dizer que corre sério risco de extinção. Os principais fatores são a caça predatória para consumo da carne e como troféu para os caçadores. As leis nacionais do Congo e internacional proíbem a caça e a captura do animal para qualquer finalidade, mas aparentemente não surtiu efeito no número de indivíduos capturados e mortos anualmente. Outra ameaça aos bonobos é a exploração dos recursos naturais do Congo que tem se intensificado com as guerras, instabilidade econômica e política ocorridas no país.

Bibliografia:

INTERNATIONAL UNION FOR CONSERVATION OF NATURE. Bonobo (Pan paniscus) - Conservation Strategy 2012–2022. International Union for Conservation of Nature & Institut Congolais pour la Conservation de la Nature, 2012.

Novak, R. M. 1999. Walker's Mammals of the World. 6th edition. Johns Hopkins University Press, Baltimore.

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