Hemoparasitas

Graduação em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2016)

O parasitismo é uma interação ecológica que acontece entre diferentes espécies, uma parasita e uma hospedeira, onde a espécie parasita se associa ao seu hospedeiro causando-lhe prejuízos. Estes organismos podem ser classificados como ectoparasitas quando vivem na área externa do hospedeiro, ou ainda como endoparasitas ao se alojarem dentro da espécie hospedeira. Alguns endoparasitas pertencem ao grupo dos helmintos, como por exemplo os vermes causadores da teníase (Taenia solium e Taenia saginata). Outros endoparasitas pertencentes aos grupos de protozoários e bactérias podem também serem considerados como hemoparasitas ou hematozoários.

Os hemoparasitas formam um grupo de parasitas que se alojam na corrente sanguínea do hospedeiro, e podem ainda ser considerados parasitas intracelulares ao se alojarem dentro das células do animal. A fim de acessar a corrente sanguínea, os hemoparasitas se utilizam de vetores de transmissão, definidos como organismos capazes de transmitir agentes infecciosos. Normalmente os vetores são espécies de artrópodes como carrapatos e mosquitos. Ao invadirem o corpo do hospedeiro, os hemoparasitas podem causar doenças conhecidas como hemoparasitoses, tanto na espécie humana como em diferentes espécies de mamíferos e até mesmo aves.

Hemoparasitoses

Dentre as hemoparasitoses que afetam o ser humano, as mais conhecidas são causadas pelos hemoparasitas pertencentes às espécies Trypanosoma cruzi e ao gênero Plasmodium. O Plasmodium sp é um protozoário hemoparasita responsável pela causa da Malária, e possui como vetor de transmissão a fêmea do mosquito pertencente ao gênero Anopheles. O mosquito é considerado hematófago, ou seja, se alimenta de sangue de outros animais. Assim, ao entrar em contato com sangue infectado pelo protozoário, a fêmea do mosquito passa a infecção adiante picando diferentes indivíduos.

Trypanosoma cruzi. Foto: Dr. Mae Melvin / CDC [public domain]

A tripanossomíase, também conhecida como Doença de Chagas, é outra hemoparasitose que atinge o ser humano, causada pelo protozoário flagelado Trypanosoma cruzi. O parasita consegue infectar o ser humano através dos insetos triatomíneos, conhecidos também como barbeiros e considerados os vetores de transmissão da doença. A contaminação acontece pelo contato entre as fezes do barbeiro contendo larvas de protozoário e a pele humana. O barbeiro também é um inseto hematófago, se alimentando do sangue de outros animais, muitas vezes contaminado. Uma vez contaminado, o inseto elimina as larvas através das fezes ao se alimentar na superfície do corpo humano, provocando coceira. Assim, as larvas do hemoparasita invadem a corrente sanguínea através da pele.

Outras espécies de mamíferos também são afetadas por hemoparasitoses causadas por organismos dos seguintes gêneros: Babesia, Haemobartonella e Erlichia. Estes gêneros de hemoparasitas possuem como vetor o carrapato marrom da espécie Rhipicephalus sanguineus. As espécies pertencentes ao gênero Haemobartonella também tem como vetor a pulga do gênero Ctenocephalides que, ao se alimentarem de sangue, transmitem os parasitas para cães e gatos. Já as espécies do gênero Babesia são responsáveis pela doença conhecida como Babesiose que acomete cães. Causada pelo protozoário Babesia canis, essa doença pode acarretar em destruição dos glóbulos vermelhos de animais infectados.

O gênero Haemobartonella apresenta espécies de bactérias que afetam cães e gatos. A espécie Haemobartonella felis causa a doença conhecida como Hemobartolenose felina, e a espécie Haemobartonella canis causa a Hemobartolenose canina infecciosa. Assim como a Babesia, essas doenças estão relacionadas a destruição dos glóbulos vermelhos. O gênero Erlichia apresenta bactérias causadoras da doença conhecida como Erliquiose que, diferentemente dos gêneros Babesia e Haemobartonella, infecta os glóbulos brancos em cães, relacionados a defesa do organismo e imunidade.

Referências Bibliográficas

[1] NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 11 ed. São Paulo: Atheneu, 2004.

[2] Ristow, L. E.; Jacomé, D. O. Métodos diagnósticos para pesquisa de hemoparasitas: Revisão de Literatura. TECSA Laboratórios.