Desertos polares

Mestrado em Geografia (UFSC, 2015)
Graduação em Geografia (UFSC, 2012)

Os desertos polares são aqueles localizados nos dois extremos do nosso planeta. Nas áreas de desertos polares, a evaporação supera duas ou mais vezes a precipitação anual, e a temperatura média no mês mais quente costuma ser abaixo dos 10°C. Os desertos polares da Terra cobrem cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados e são quase todos cobertos de rocha ou cascalho, como mencionado. A maior parte dos desertos polares do planeta estão localizados principalmente na Antártida, no hemisfério sul, e na Groenlândia, no hemisfério norte, e são principalmente formados por leitos de rocha e planícies de cascalho (como ocorre nos Dry Valleys na Antártida). Dunas de areia não são típicas destes desertos, porém dunas de neve habitualmente ocorrem em áreas onde o vento é mais abundante, podendo provocar, inclusive, avalanches.

Os vales secos da Antártida têm permanecido livres de gelo há milhares de anos. Já em campos de gelo permanente, se encontram ecossistemas simples. Sobre a neve antiga se desenvolvem algas. Os nutrientes tendem a se concentrar à medida que neve e gelo evaporam. Algumas destas algas são de cor vermelha brilhante.

Existem ecossistemas marinhos ativos no gelo e na água, debaixo dos grandes mares de gelo que cobrem o oceano polar. Um ecossistema diversificado de algas e pequenos consumidores vive no lado inferior do gelo; estes sistemas utilizam como fonte de energia a luz solar que penetra no gelo durante o verão. As águas que fluem por debaixo do gelo também carregam matéria orgânica produzida em outros lugares, abastecendo de alimento uma grande população de peixes. Muitos mamíferos marinhos vivem desses peixes; deste modo, focas, orcas (baleias) e ursos polares representam o topo da cadeia alimentar. Algumas espécies de peixes e anfíbios que vivem debaixo das águas congeladas ainda não foram reconhecidas pela ciência.

Os desertos polares dominam a lista dos 10 maiores desertos do mundo. Em primeiro lugar, fica a Antártica, com 13.829.430 km2.

O deserto polar gelado na Antártida. Foto: Tarpan / Shutterstock.com

Em segundo lugar, fica a região do Ártico, com 13.726.937km2. O deserto do Ártico é outra área fria que, assim como a Antártida, tem uma taxa de evaporação muito superior do que a sua taxa de precipitação anual. Esse deserto percorre quase toda a parte Ártica do planeta, ocupando territórios da Escandinávia, Sibéria, Alasca, Groenlândia e Canadá. Além de Deserto Gelado do Polo Norte, essa região é toda conhecida por Tundra, devido a sua vegetação que tem esse nome.

Deserto do Ártico. Foto: Rigamondis / Shutterstock.com

A região da Sibéria abrange cerca de 6,5 milhões de quilômetros quadrados de deserto congelado (deserto polar), planícies pantanosas, planaltos desolados e vastas florestas que ocupam cerca de metade da antiga União Soviética. A extensa camada de gelo polar no hemisfério norte é um deserto biológico congelado que virtualmente não suporta vida. Uma área de cerca de 3 milhões de quilômetros quadrados no norte da Sibéria é chamada de tundra, sendo completamente desprovida de floresta. O sub-Ártico inclui vastas áreas de uma porção florestal chamada taiga (florestas abertas de coníferas anãs; equivalente à floresta boreal). As categorias de climas que prevalecem na Sibéria são as seguintes:

  1. Calota de gelo (clima polar): a temperatura permanece abaixo de zero durante todo o ano, e o permafrost (solo congelado permanente) se estende até o solo.
  2. Tundra (clima ártico): a temperatura média durante a maior parte do ano fica abaixo de 10°C e permanece abaixo de zero pelo menos por um mês.
  3. Taiga (clima sub-ártico): a temperatura média está acima de 10°C por não mais de quatro meses e cobre a neve e fica abaixo de zero por um ou mais meses.

A maior parte do deserto polar recebe menos de 100 a 250 milímetros de precipitação por ano, incluindo chuva e neve. A água adicional é incapaz de percorrer abaixo do solo devido ao permafrost, portanto, pântanos se formam em áreas extensas. A tundra do norte, fora dos limites da calota de gelo polar, suporta alguns líquenes e vegetação extremamente simples. A tundra central é rica em plantas herbáceas. Arbustos anões começam a aparecer na tundra do sul. As áreas abertas na zona de floresta-tundra são geralmente ocupadas por arbustos com bétula-anã e salgueiros-anões. As florestas de abetos (coníferas da família das Pináceas) constituem a maior parte da vegetação da Sibéria. As florestas de folha caduca (carvalho) e as estepes, juntamente com as estepes de capim e sálvia, aparecem mais ao sul.

A rena (Rangifer tarandus), os lemmings (roedores das regiões do norte), esquilos terrestres, raposas árticas, ursos polares, tigres siberianos, gansos, cisnes, patos e baleias são alguns membros da fauna siberiana.

Bibliografia:

GUEDES, Maria Helena. Oásis do Deserto. Disponível em: <https://play.google.com/books/reader?id=sRByDwAAQBAJ&hl=pt&pg=GBS.PA11>. Acesso em: 04/12/2019.

LUHR, James F. Earth. Londres: Dorling Kindersley Limited, 2009.

MARES, Michael A. Encyclopedia of Deserts. Norman: University of Oklahoma Press, 1999.

Rede Globo. Como são formados os diferentes tipos de deserto ao redor do mundo. Disponível em: <http://redeglobo.globo.com/globoecologia/noticia/2012/11/como-sao-formados-os-diferentes-tipos-de-deserto-ao-redor-do-mundo.html>. Acesso em: 04/12/2019.

Terra. Os 10 maiores desertos do mundo. Disponível em: <https://www.terra.com.br/noticias/climatempo/os-10-maiores-desertos-do-mundo,bfa49d3ee2f3908dfaa478828de5064esc6jvsmu.html >. Acesso em: 04/12/2019.

Arquivado em: Biomas, Geografia