Bouba aviária

Graduada em Medicina Veterinária (UDESC, 2017)

Também conhecida como varíola aviária, é uma doença infecciosa de grande importância para a produção avícola por ser amplamente difundida e levar a perdas econômicas. O agente etiológico é um vírus do gênero Poxvirus da família Avipoxiviridae. A bouba é descrita em mais de 60 espécies de aves e não tem preferência de idade ou sexo. O poxvírus é um dos maiores vírus conhecidos e possui 4 cepas: Poxvírus aviário, Poxvírus de pombos, Poxvírus de perus e Poxvírus de canários.

A disseminação pelo território é lenta e não apresenta grande risco para a saúde pública. Possui um longo período de incubação, variando de 4 a 10 dias. Lesões cutâneas pré-existentes geralmente funcionam como porta de entrada para a infecção do vírus nas aves. Estas lesões iniciais comumente são causadas por ação mecânica como brigas e mutilação e/ou insetos. Excesso de mosquitos no ambiente favorece a rápida transmissão entre os animais do plantel.

Algumas aves podem ser portadoras subclínicas e a doença pode ser ativada oportunizando uma queda da imunidade da ave.

A apresentação da doença depende da espécie acometida e do tipo de vírus envolvido. A enfermidade é reconhecida pela presença de caroços nas barbelas e cristas, pernas e pés. Inicialmente se trata de uma área nodular, esbranquiçada, cujo volume aumenta evoluindo para formação de crostas cinzentas e espessas. Os sinais clínicos gerais são: redução no ganho de peso, queda na produção de ovos e lesões oculares.

Pode ser apresentada na forma cutânea ou seca, na forma diftérica ou úmida ou ambas.

A forma cutânea é mais predominante, apresenta lesões hiperplásicas proliferativas e nodulares em regiões do corpo sem penas (pálpebras, pés, cristas e barbelas), aves também podem diminuir o consumo, mas se recuperam. Frangos de corte às vezes manifestam uma bouba cutânea atípica, com ferimentos crostosos nas asas. Já a forma diftérica apresenta lesões fibrinonecróticas no trato respiratório, cavidade oral e esôfago. A ave tem dificuldade de se alimentar e, em casos severos, apresenta dispneia, caquexia e desidratação podendo levar ao óbito.

O diagnóstico presuntivo é feito avaliando-se as lesões macroscópicas cutâneas e diftérias. O diagnóstico definitivo se faz por histopatologia, observando-se um espessamento da camada escamosa da pele, indicando hiperplasia células e também dos Corpúsculos de Bollinger, que são inclusões citoplasmáticas características da doença e por isolamento em ovos embrionados.

Não existe tratamento efetivo. Se diagnosticada no curso inicial, a vacinação do restante do plantel pode evitar a disseminação doença. O controle da doença é feito tanto através da vacinação, utilizando cepas menos virulentas, por exemplo, os vírus de galinha e pombos, como por métodos preventivos básicos como: isolamento e biosseguridade. As condições e manejo, tais como: excesso de lotação, controle de mosquitos e boa debicagem também devem ser regularmente monitoradas.

O poxvírus é bastante resistente no ambiente e a desinfetantes. Podem sobreviver nas descamações da pele por meses ou anos. Sua inativação é feita por soda cáustica a 1% e/ou aquecimento a 50° C por 30 minutos. Recomenda-se a limpeza, desinfecção e vazio sanitário entre os lotes de aves.

Bibliografia:

Coelho, Humberto Eustáquio. Patologia das aves. São Paulo: Tecmedd, 2006

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