Efeito estufa e o Aquecimento global

Por Rafael Barty Dextro

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

Categorias: Ecologia
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O efeito estufa é o fenômeno natural que aprisiona no interior da atmosfera parte da energia que é irradiada por nosso planeta de volta para o espaço. Quando a energia solar penetra a atmosfera, ela passa livremente pelos gases atmosféricos por ter um comprimento de onda pequeno, até atingir a superfície do planeta e aquecer os oceanos e continentes. Quando parte dessa energia é refletida na forma de calor, ela possui um comprimento de onda maior que é absorvido pelos gases do efeito estufa (GEE). Por isso esses gases, que possuem essa capacidade de reter calor, são nomeados como o mesmo efeito observado no interior de uma casa de vegetação ou estufa, cuja cobertura mantem o calor retido em seu interior. Neste texto abordaremos a relação entre o efeito estufa e o aquecimento global.

O calor emitido pelo Sol é absorvido pela atmosfera terrestre, e quanto mais gases de efeito estufa presentes na atmosfera, maior será a retenção desse calor, agravando o aquecimento global. Ilustração: daulon / Shutterstock.com

O efeito estufa é um fenômeno natural no planeta

Graças a este fenômeno físico, o planeta Terra apresenta uma temperatura média de 14º C, favorecendo o desenvolvimento e manutenção de toda a biosfera. Sem os gases do efeito estufa, calcula-se que nosso planeta teria temperatura média de -18ºC, dificultando a sustentação de vida. Podemos encontrar em nossa atmosfera uma série de GEEs, sendo os principais o CO2 (dióxido de carbono), o CH4 (metano), o N2O (óxido nitroso), o SF6 (hexafluoreto de enxofre), os hidrofluorcarbonos (HFCs) e os perfluorcarbonos (PFCs). Embora o gás carbônico seja o mais abundante dentre eles, o seu poder calorifico é menor que todos os demais. Os clorofluorcarbonos (CFCs), que tiveram seu uso abolido em todo o mundo por causar a deterioração da camada de ozônio, foram substituídos pelos HFCs (que embora não agridam a camada de ozônio, tem altíssimo potencial de aquecimento).

Ação antrópica potencializou o efeito estufa

Desde a revolução industrial, as atividades humanas passaram a despejar centenas de toneladas de gases na atmosfera de maneira indiscriminada. Dentre esses poluidores do ar, existe uma grande parcela de GEEs que são liberados por atividades industriais, pela queima de combustíveis fósseis, pela agricultura e pecuária, pela decomposição da matéria orgânica em aterros, pelo tratamento de desejos e por aerossóis, solventes e gases refrigeradores de maquinários e processos. Estima-se que nos últimos 150 anos houve um aumento de 35% da concentração de CO2 na atmosfera advindo das ações antrópicas.

Quando comparamos as alterações climáticas e atmosféricas históricas, obtidas através de amostragem do ar aprisionado em camadas profundas do gelo glacial polar e de modelos matemáticos, percebemos que os valores atuais não seguem o padrão esperado para flutuações naturais. Por isso, grande parte da comunidade cientifica e da sociedade compreende que o gradativo aumento de temperatura que o planeta vem sofrendo ao longo da última década é resultado das emissões de gases do efeito estufa realizadas por atividades humanas. O CO2 se tornou um gás referência para classificar tanto o poder de aquecimento de outros gases como para medir o agravamento do aquecimento global.

Ainda há certo debate sobre a responsabilidade da humanidade acerca do aquecimento global, existindo uma parcela dos governantes e grandes empresários que buscam negar esse evento, tentando reafirmar que estamos passando por uma fase natural de flutuação térmica. Esse negacionismo é extremamente deletério para a instauração de políticas globais eficientes no combate à poluição pois desvirtua o foco das discussões para longe do objetivo de reduzir emissões globais de GEEs, que deveria ser uma ação global conjunta.

Leia também:

Referências:

Kirk-Davidoff, D., 2018. The Greenhouse Effect, Aerosols, and Climate Change. In Green Chemistry (pp. 211-234). Elsevier.

Nkongolo, N.V., Johnson, S., Schmidt, K. and Eivazi, F., 2010. Greenhouse gases fluxes and soil thermal properties in a pasture in central Missouri. Journal of Environmental Sciences22(7), pp.1029-1039.

Schneider, S.H., 1989. The greenhouse effect: science and policy. Science243(4892), pp.771-781.

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