Efeitos das mudanças climáticas na biodiversidade

Graduação em Ciências Biológicas (Unicamp, 2012)
Mestrado Profissional em Conservação da Fauna Silvestre (UFSCar e Fundação Parque Zoológico de São Paulo, 2015).

Publicado em 10/07/2019

Quando falamos em mudança climática, nos referimos às alterações no clima em escala global, ao longo do tempo.

E como sabemos que houve variação nas características de um clima?

Um clima sofre variação, quando se altera a pluviosidade/precipitação, a temperatura, nebulosidade, entre outros fatores.

Essas mudanças climáticas podem ter causas naturais: por forças externas à Terra, como fator sol, por exemplo; fatores internos, que acontece entre a Terra e sua atmosfera; e antrópicas: por atividades humanas.

Existem fenômenos naturais como La nina e El niño que são famosos por influenciarem na pressão atmosférica do oceano (mudança na intensidade dos ventos alísios) provocando diversos tipos de fenômenos climáticos, como a falta de chuva em algumas regiões, ou temperaturas mais elevadas e excesso de chuva em outros locais.

Um fenômeno que tem sido foco de preocupação é o aquecimento global, ou seja, aumento da temperatura da Terra, ano após ano. O efeito estufa é um evento importante, natural e essencial para se manter a Terra aquecida e com vida, porém, tem sido agravado pela ação antrópica que o intensifica, uma vez que muitas atividades humanas liberam gases que possuem efeito estufa, como a queima de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural), o desmatamento de vegetação nativa, os incêndios, cultivo de gado, etc.

As consequências das mudanças climáticas são das mais variadas. Dentre elas, podemos destacar os impactos ambientais decorrentes do aquecimento global, como o derretimento das calotas polares e das geleiras. Os climas mais quentes podem aumentar as epidemias de doenças tropicais, como dengue, malária, febre amarela, entre outras; há aumento do nível do mar, alterações na agricultura, etc.

Além disso, aumentou-se o número e a intensidade de eventos meteorológicos, em curta escala de tempo, como por exemplo, furacões, tempestades, enchentes, secas, que além de trazer prejuízos econômicos, trazem grande impacto nas vidas humanas e na biodiversidade do planeta.

Ilustração: Photomontage / Shutterstock.com

Muitas espécies não conseguem se ajustar tão rápido quanto às mudanças e o aquecimento global tem um efeito negativo sobre as comunidades biológicas. A mudança de clima em alguns lugares afeta espécies que são especialistas em viver naquele tipo de clima. Com isso, muitas populações passam a migrar pra áreas com características próximas, porém algumas espécies não possuem boa habilidade de dispersão, ou possuem dispersão limitada, sofrendo ameaças maiores de extinção. Eventos que criam barreiras de dispersão, como a fragmentação de habitat, contribuem para as extinções de espécies.

O derretimento de gelo, certamente levará à elevação do nível do mar, alagando áreas costeiras e úmidas. As espécies desses ecossistemas precisarão migrar para sobreviverem. O fato é que a urbanização destruiu boa parte das áreas úmidas que comportaria novas populações, ou bloquearam com estradas e edificações, impedindo a dispersão destas espécies, que sofrem ameaça.

Além da biota terrestre que depende de uma temperatura, quantidade de chuva e de vento específicos para se desenvolver, há no mar algas, espécies de corais que crescem a partir de uma combinação de luminosidade, com a corrente de água, temperatura e nível de profundidade específicos. Estas espécies sofrerão com as altas temperaturas dos oceanos e com o aumento do nível do mar, o que levará a uma morte em massa de pelo menos 80% dos recifes de corais. As águas mais quentes também afetam o fitoplâncton, que está na base da cadeia alimentar marinha, ou seja, toda a cadeia pode ser afetada, inclusive com impacto na pesca, que é parte da alimentação humana.

Espécies como a vegetação de Tundra no Ártico, animais como o urso Polar, sofrem grande risco de extinção. Outros estudos mostram que o comportamento de espécies migratórias pode sofrer alterações, uma vez que a busca por áreas de alimentação e reprodução, vem se tornando cada vez mais distantes.

Com isso, é importante cada vez mais estudos para compreender como as mudanças climáticas implicam em alterações nos habitats e consequentemente entender as relações disso com a biodiversidade. As mudanças somadas a outros fatores, como perda e fragmentação de habitat são grandes ameaças para extinções massivas de espécies.

Referências:

http://www.mma.gov.br/estruturas/chm/_arquivos/14_2_bio_Parte%201.pdf

PRIMACK, Richard; RODRIGUES, Efraim. Biologia da Conservação. Londrina: E. Rodrigues, 2001.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mudan%C3%A7a_do_clima

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