Estresse ambiental

Graduação em Ciências Biológicas (Unicamp, 2012)
Mestrado Profissional em Conservação da Fauna Silvestre (UFSCar e Fundação Parque Zoológico de São Paulo, 2015).

Estresse ambiental pode ser compreendido como qualquer ação que perturbe o ambiente, causando algum distúrbio, que resulte em alterações químicas, físicas e biológicas do meio.

A flora e fauna de um determinado local dependem de um clima característico (regime de chuvas, temperatura, luz, vento, etc) e de um solo específico (textura, nível de nutrientes, topografia, disponibilidade de oxigênio, retenção de água, etc). Alterações nestes fatores podem advir de causas naturais, como incêndios, tempestades, vulcões, furacões, etc; e podem vim a partir de ações humanas. Essas tem sido a principal causa de perturbações na natureza, levando a distúrbios como poluição de um curso d’água, poluição do ar, mudanças climáticas (que alteram o regime de chuvas, umidade, vento, luminosidade, etc.), introdução de espécies exóticas, erosão do solo, esgotamento e/ou compactação do solo, que consequentemente geram alterações nos ecossistemas, fragmentação e destruição de habitat, etc.

Principais atividades que podem degradar o ambiente: agricultura, pecuária, exploração de madeira de recursos naturais, exploração do petróleo, queimadas, construções de estradas, construções civis, urbanização, navegação, etc.

Barragem de rejeitos de mineração, no meio de uma floresta em Madagascar, causando um claro estresse ambiental na região. Foto: Roel Slootweg / Shutterstock.com

O desmatamento é a causa mais grave de ameaça às espécies, em todo o planeta. A fragmentação de habitat ameaça a existência de espécies, seja com alterações dos fatores físicos, químicos e biológicos, como atrapalhando a própria dispersão e colonização das mesmas. Consequentemente, haverá implicação em todo o ecossistema, com a perda de biodiversidade e de serviços ecossistêmicos. Um outro fator, pode ser a desertificação, por esgotamento do solo, que leva à erosão e perda de capacidade de retenção de água. A região semiárida do nordeste e o sul do país são as que mais sofrem com a desertificação, através da presença de criação de animais acima da capacidade suporte para aquele meio, na pecuária.

O segundo fator mais impactante para a extinção de espécies é a superexploração dos recursos naturais. Isso acontece desde que as civilizações se estabeleceram e passaram a crescer, mesmo antes da Revolução Industrial, quando o homem utilizava penas e pelos de animais nas suas vestes, na captura de animais silvestres para colecionadores, ou mesmo na exploração de madeira, como do pau Brasil na idade colonial. A extinção de espécies causa impacto para todo o ecossistema, provocando desequilíbrios ecológicos.

Estresse mais sutil, que não altera a paisagem de imediato, mas a longo prazo tem consequências: canoagem em áreas de recife de corais, uma vez que espécies frágeis são agredidas pelos meios de transporte. A poluição ambiental é uma das mais sutis, já que acontece o tempo todo e não temos efeitos imediato, como por exemplo, a liberação de pesticida (agrotóxicos, herbicidas, inseticidas, etc.) no solo, nas águas, produtos químicos, emissão de poluentes por fábricas, automóveis e embarcações, erosão das encostas, esgoto industrial e doméstico, excesso de lixo, entre outros. Os pesticidas, além de matar de imediato alguns animais contaminados, podem se acumular em organismos, ao longo da cadeia alimentar, levando a danos, a longo prazo, até mesmo a nós humanos.

A poluição de lagos, rios e mares é feita através do despejo de esgoto e lixo, que vem contaminados com pesticidas, dejetos, metais pesados, derramamento de óleo, lixos industriais e domésticos, detergentes, etc. Grande parte da proteína da alimentação humana vem do meio aquático e a água poluída causa danos não apenas às comunidades aquáticas, como para nós humanos, com o fim da água potável, diminuição da fonte de alimento e com doenças através de animais contaminados.

O estresse ambiental pode ser localizado, o que torna mais fácil a atuação para restabelecimento e mitigação, ou sistêmico, como nas águas, ar e no solo, podendo ter alcance inestimável, causando efeitos diversos e grave. É o caso do aquecimento global, por exemplo, que atinge as espécies de distribuição limitada, com pouca capacidade de dispersão, o que levará ao declínio e extinção de muitas populações.

É importante que busquemos meios para causar o menor impacto possível ao que resta na natureza, começando pela educação e desenvolvimento de consciência ecológica nas populações humanas.

Referências:

PRIMACK, Richard; RODRIGUES, Efraim. Biologia da Conservação. Londrina: E. Rodrigues, 2001.

Monteiro, J. A.; Estresse Ambiental: Considerações Econômicas. EMBRAPA, Minas Gerais, 1995.

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